Anualmente, cerca de 260 mil pessoas ingressam nas faculdades de Direito do país, que buscam uma segunda graduação ou um sonho profissional de atuarem nas várias opções da área jurídica que a graduação em direito possibilita, quer como delegados, juízes, promotores, procuradores e advogados. Fato é que mesmo tendo em comum a mesma faculdade, militar em uma das áreas do direito exemplificadas implica em vocações diferentes. Qual seria a vocação do advogado? A vocação que menciono aqui distingue-se dos jargões dos testes de vocação profissional, onde os indicadores para seguir a profissão seriam: a boa oratória, hábito de leitura, boa escrita, argumentação e inteligência emocional.
Embora importantes tais qualidades, entendo que a vocação está em esperar em cada dia um desafio novo à profissão, crescendo e fortalecendo-se em cada superação, em ter a advocacia como uma escultura iniciada e inacabada, que a cada dia poderá ser moldada segundo a nova realidade social, econômica, tecnológica, moral. Ter visão do futuro de que não são finitos os mecanismos próprios para solucionar as disputas, acabando com a ideia de que tudo precisa ser resolvido nos tribunais. Ser um instrumento de evitar-se conflito e em existindo, buscar resolvê-lo da forma mais justa e menos custosa a seu cliente. O amor à causa não pode aflorar-se em uma paixão descontrolada que leve ao ódio ou desrespeito de seu oponente.
Acima de tudo, ter-se a plena consciência que o imutável na advocacia é a ética profissional. Nunca se achar pior ou melhor, mas sim diferente, pois cada advogado tem uma história, uma missão consigo e com a sociedade. Este é o doce vício de advogar.
O autor é advogado