Nestes cinco meses, as equipes de saúde se tornaram mais bem preparadas para conduzir o tratamento de pacientes com Covid-19 dentro dos hospitais, mas, também, para prestar orientações adequadas aos que não precisam, inicialmente, de internação. Com isso, segundo a análise infectologista Taylor Endrigo Toscano Olivo, diminuiu o número de pacientes que chegam aos hospitais com estado agravado de saúde.
"Primeiramente, com esta melhor triagem, tivemos menos pacientes encaminhados para internação. Antes, até o paciente que estava bem, mas tinha fator de risco, como obesidade, diabetes, cardiopatia, hipertensão, era internado. Agora, o que tem fator de risco, mas quadro leve, faz o tratamento em casa, mas é orientado a retornar logo ao serviço de saúde, a qualquer sinal de piora. Com isso, é encaminhado ao hospital com menor risco de evoluir com gravidade", explica Olivo, que atua em hospitais da rede pública e privada de Bauru.
"O paciente, orientado pelas equipes, aprendeu a entender melhor como a doença pode evoluir e quais são os critérios de piora, ou seja, como saber se o quadro está começando a ficar grave ou não", acrescenta.
RELAXAMENTO
Apesar deste importante aprendizado da população, o médico pontua que os cinco meses de pandemia levaram ao relaxamento dos moradores em relação às regras de distanciamento social, o que têm preocupado os profissionais de saúde em relação a um possível recrudescimento dos casos dentro de algumas semanas.
"Já tivemos uma situação pior que a de agora nas UTIs e sabemos o quão exaustivo foi, até porque muitos profissionais de saúde também foram infectados e precisaram ser afastados, o que aumentou a sobrecarga das equipes", observa, destacando que as equipes de saúde que atuam no enfrentamento da Covid-19 não envolvem somente médicos, mas também profissionais de fisioterapia, enfermagem, nutrição, psicologia, assistência social, entre outros.