Economia & Negócios

Demanda por seguro cyber cresce em pandemia

Aline Bronzati
| Tempo de leitura: 3 min

O crescente número de ataques de hackers na pandemia fez disparar a procura por seguro que protejam as empresas contra crimes cibernéticos. O salto na demanda, associado à piora generalizada do risco, porém, encareceu o custo das apólices, que já não era convidativo. Ao mesmo tempo, fez com que as seguradoras se retraíssem.

A lista de empresas atingidas por invasões cibernéticas não para de crescer. Mais pessoas trabalhando em casa significou aumento de vulnerabilidade e uma porta de entrada mais fácil aos hackers. O grupo de empresas inclui nomes como o da concessionária fluminense Light, a estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Avon, Honda, Energisa, Raízen, Rumo, o Grupo EDP - com um ataque global, e Hospital Sírio Libanês. Essa semana, a operadora de planos de saúde Hapvida informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), xerife do mercado de capitais, que sofreu um incidente de violação de segurança cibernética - envolvendo dados cadastrais de clientes, mas sem interrupção de suas operações.

Diante dos ataques em massa, o mercado de seguros sinaliza um endurecimento nas condições dos contratos a serem renovados no segundo semestre. Pesa, sobretudo, não só uma maior procura pela contratação da apólice em meio à Covid-19, como o interesse das empresas em ampliarem seus limites de cobertura, diante do medo de serem alvo de hackers sem a devida proteção. "O seguro cyber chegou ao Brasil há alguns anos, mas ninguém dava atenção. A procura começou a aumentar por conta da entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que previa multas até R$ 50 milhões em caso de descumprimento", diz o advogado sócio do Machado Meyer, Eduardo Castro.

A pandemia, porém, agravou o risco. Seguradoras que olhavam o mercado com otimismo, principalmente, por conta da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, que teve sua entrada em vigor postergada em meio à pandemia, agora, têm cautela. A norte-americana Liberty, por exemplo, desistiu de ingressar no segmento de riscos cibernéticos, ao menos por ora.

O braço de riscos corporativos da alemã HDI, que também rondava este mercado, seguiu adiante com os planos, mas de forma tímida e sem alarde. Emitiu menos de R$ 95 mil em prêmios em fevereiro, conforme a Superintendência de Seguros Privados (Susep). Depois que a pandemia começou a se propagar no Brasil, não fechou novos contratos.

Os números do mercado de riscos cibernéticos seguem pouco expressivos. O segmento ganhou um impulso extra, porém. No acumulado do ano até maio, foram R$ 13,682 milhões em prêmios, mais que o dobro do visto no mesmo intervalo de 2019. Em todo o exercício passado, os prêmios emitidos não chegam a R$ 21 milhões.

"Naturalmente, a demanda das empresas aumentou muito. Isso traz oportunidade para o mercado", afirma o diretor de linhas financeiras da seguradora suíça Zurich, Fernando Saccon. "Em uma carga menor, a pandemia será para o seguro cyber, o que a Lava Jato foi para o D&O - que protege o patrimônio dos executivos." A referência é ao movimento que veio a reboque do escândalo de corrupção, com os executivos mais preocupados em se protegerem de questionamentos na Justiça.

O aumento de demanda tem sido sentido de todos os lados. A superintendente de riscos cibernéticos da corretora Marsh, Marta Schuh, tem tido uma média de cinco reuniões por dia com empresas interessadas em contratar seguro para riscos cibernéticos. A conta para as seguradoras já começa a aparecer. O volume de sinistros registrados somente em maio foi de quase R$ 10,8 milhões, mostram dados da Susep. No acumulado do ano, para se ter uma ideia, são R$ 12,269 milhões - ou seja, a maior concentração já se deu durante o auge das medidas de isolamento social.

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