São Paulo - Encontrar uma mulher completamente satisfeita com sua aparência é difícil. A busca pela pele e pelo corpo perfeitos - exibidos em propagandas, revistas e filmes - já existe há muito tempo. No século 21, contudo, a disseminação do padrão estético é feita largamente pela internet. Mas, se por um lado as redes sociais podem reforçar estereótipos, por outro, elas dão luz a causas, antes, não tão conhecidas. Hashtags como #pelelivre e #skinpositivy ficaram famosas por mostrar pessoas reais, sem filtros e completamente fora desse tal padrão. Hoje, são quase 85 mil publicações com esses termos no Instagram.
"É assim que a mudança acontece", opina a influenciadora norte-americana Mikayla Zazon, criadora do movimento #NormalizeNormalBodies e #NormalizeNormalSkin (#NormalizeCorposNormais, #NormalizePelesNormais). Depois de lutar por seis anos contra bulimia, dismorfia corporal, depressão e ansiedade, ela passou a influenciar outros que sofriam como ela.
REPRESENTATIVIDADE
Para a estudante Nathália Simeão, de 19 anos, a representatividade fez toda a diferença. "Quando você vê as pessoas postando fotos com acne aparente, é outra coisa. Você sente que existem pessoas que nem você", conta ela, que, apesar de considerar sua autoestima muito boa, confessa ter seus altos e baixos.
Pra romper com um padrão, criou a página @acneperfeita em abril. "Por isso, eu falo de normalizar a acne. Todo mundo sabe que existe, mas ninguém aceita, tentam cobrir como se não existisse."
"Pele perfeita é pele saudável", afirma a dermatologista Carla Vidal. "
DESAPEGO
O período da quarentena convidou mulheres a se libertar de certas preocupações estéticas, como pintar os cabelos. "O afastamento social acabou nos dando a chance de praticar o desapego e experimentar coisas novas. O processo de envelhecer não é fácil, mas precisa, no mínimo, ser aceito como natural para que possamos ser mais felizes. Sem regras, sem tabu e sem preconceito", contam as criadoras da página @shet_alks, Camila Faus e Fe^ Guerreiro.
No Instagram apresentado como "um lugar onde a idade dos ?enta? rima com "experimenta", elas gostam de reafirmar a amplitude do conceito de bonito. "Somos criadas numa narrativa onde beleza e juventude andam de mão dadas e assim aprendemos que envelhecer é feio, quase errado", dizem elas. "Quem disse que ruga é feio?"