São Paulo - A Bolsa de Valores brasileira tem forte queda na tarde desta segunda-feira (17) com o temor de investidores com a situação fiscal do país. A leitura do mercado é que o aumento de popularidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pode levar a um furo no teto de gastos, contrariando o ministro Paulo Guedes (Economia), cuja saída do governo também é alvo de especulação.
O Ibovespa recuou 1,73%, a 99.595 mil pontos, menor patamar desde 13 de julho. O dólar subiu 1,190%, a R$ 5,4960, maior valor desde 22 de maio, quando a moeda americana estava a R$ 5,57.
O real tem a segunda maior desvalorização entre todas as moedas do mundo na sessão, atrás apenas do tugrik da Mongólia, e os juros futuros operam em alta.
COBRANÇA
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, animado com o aumento da popularidade, o presidente tem cobrado de Guedes uma postura menos resistente ao aumento de gastos públicos, com foco em obras e benefícios sociais.
Nesta segunda, a equipe do ministro teve mais uma baixa. O subsecretário de Política Macroeconômica, Vladimir Kuhl Teles, deixou o cargo.
Após os pedidos de demissão dos secretários especiais Salim Mattar (Desestatização) e Paulo Uebel (Desburocratização), Guedes reconheceu uma debandada da sua equipe.
A saída de Teles, contudo, não vem na esteira desse último movimento.
Segundo a assessoria de imprensa do ministério, o pedido se deu por uma situação pessoal e a partida já estava combinada previamente para ocorrer em agosto.
Antes disso, o então secretário especial de Comércio Exterior, Marcos Troyjo, havia saído do cargo para assumir, em maio, a presidência do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco dos Brics.
"O entendimento do mercado é que as perdas da semana passada até que foram boas. Estávamos vendo um desgaste, especialmente na saída do Mattar, o que dá um fôlego na pasta de privatização", diz Abertman.
Por outro lado, parte do mercado teme que o movimento seja uma fragilização do ministro, que também estaria de saída do governo.