Em assembleia realizada nessa terça-feira (25), bancários de Bauru aprovaram, por unanimidade, o indicativo de greve a partir de quinta-feira (27). De acordo com o Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, as poucas propostas da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e a retirada de direitos levaram a categoria à decisão.
Logo após a deliberação, a entidade ainda promoveu uma carreata pela cidade. A iniciativa foi um ato de protesto e serviu também para comunicar a população sobre a campanha salarial dos bancários.
Ao contrário do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, outros ligados à Contraf-CUT realizaram assembleias virtuais e optaram por não discutir paralisação da categoria, enquanto houver negociação agendada, acrescenta a entidade situada em Bauru. Nesta quarta-feira (26), haverá mais uma rodada de negociações com a Fenaban, que destaca continuidade das conversar, dentro do cronograma estabelecido.
PERDAS
Segundo o sindicato, apesar dos bancos voltarem atrás na redução da gratificação de função, que será mantida como é hoje (55%), e na de retirada da 13.ª cesta alimentação, que também será mantida, propuseram reajuste zero por dois anos; querem impor o trabalho de oito horas diárias para toda a categoria e ofereceram um abono de R$ 1.656,22 para este ano e de R$ 2.232, 75 para 2021, sem repor perdas.
Além disso, embora a Fenaban tenha mudado a proposta que reduziria a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), retornando os valores da regra básica e da parcela adicional vigentes no acordo de 2019, foi mantida a redução da regra majorada de 2,2 salários para 2 salários e o percentual da distribuição do lucro da parcela adicional de 2,2% para 2%.
"Para piorar, os bancos apresentaram uma regra nova que limita o percentual do lucro a ser distribuído em 2020 e 2021, ao mesmo percentual distribuído em 2019. Ou seja, bancários terão grandes perdas, já que como no ano passado os lucros dos bancos bateram recordes, os percentuais deste lucro distribuídos foram pequenos e agora os bancos querem replicar esses percentuais pequenos, mas em cima de um lucro inferior, o que irá piorar ainda mais o valor que os bancários receberiam este ano", afirma a entidade em nota.
REIVINDICAÇÕES
Para o Sindicato, os bancos precisam atender as reivindicações da categoria e respeitar os direitos já conquistados pelos trabalhadores. "Não há motivos para eles oferecerem essas migalhas aos bancários, já que mesmo com a pandemia do novo coronavírus, no primeiro semestre, o lucro dos quatro maiores bancos – Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil – chegou a R$ 28,5 bilhões. Em 2019, os lucros somados dos cinco maiores (contando com a Caixa) alcançaram R$ 108 bilhões, um crescimento de mais de 30% em relação a 2018", consta no texto enviado à imprensa.
Já a Fenaban, que representa os bancos nas negociações trabalhistas há mais de 30 anos, informa ter recebido, em 23 de julho, a pauta de reivindicações referente à campanha salarial deste ano. "As negociações estão ocorrendo conforme o cronograma e esperamos em breve chegar a um posicionamento que seja satisfatório para todos os participantes", informa nota enviada à redação.