Tribuna do Leitor

E a coisa se agrava...

Matheus Terra
| Tempo de leitura: 2 min

Há alguns anos atrás pude acompanhar a melancolia de um grande jornalista prestes a fechar as portas de sua redação. Entretanto, é com belas palavras que ele discorre sobre os motivos pelos quais o levaram ao encerramento das atividades na época e, dentre eles, está o preocupante analfabetismo funcional.

Mas o que é isso, afinal? É a incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender textos simples, mesmo que ela seja totalmente alfabetizada e capaz de decodificar as letras e as frases. Albert Camus, escritor e filósofo franco-argelino, escreveu: "O propósito de um escritor é prevenir a civilização de destruir a si mesma."

É com esta citação que Maurício Simão, jornalista, discorre sobre o seguinte pensamento: "Não resta dúvidas, ler e escrever é uma das maiores atividades humanas de todos os tempos". É com toda sensatez que as afirmações acima não necessitam de grandes explanações, pois é no dia a dia que nos deparamos com exemplos palpáveis sobre o problema.

É claro que o analfabetismo funcional não é algo inerente ao brasileiro, mas sim um problema que engloba muitos outros pelos quais o Brasil encontra dificuldade em solucioná-los até os dias atuais, sobretudo a inconsistente e precária educação pública.

Existem multidões de brasileiros que afirmam, por exemplo, que a terra é plana, que o coronavírus não existe e até mesmo que ivermectina, remédios contra vermes e parasitas, é a cura contra o Covid-19.

Se a atividade da leitura fosse considerada por nós, brasileiros, muito mais que um hobbie que engloba especialmente aplicativos de mensagens instantâneas, talvez não estivéssemos enfrentando este abismo intelectual que engloba as massas de internautas. A ignorância de alguns para com fatos ditos reais transformam a percepção e faz com que os produtos de uma imaginação com pouco conhecimento se tornem mais aceitáveis: "tomei o remédio "x" contra o vírus e não morri, portanto, é a cura", posso medir a curvatura da Terra com uma régua, o Congresso Nacional é justo...

Maurício encerra sua despedida afirmando com todo discernimento que lhe compete em seu ofício: "Estamos formando uma sociedade cada vez mais alienada, e a coisa se agrava...". E é coberto de toda a razão que o jornalista que fecha as portas de sua redação.

 

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