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Voluntariado: prática se torna ainda mais relevante durante a pandemia

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Diz o dicionário Aurélio que voluntário "é aquele que procede espontaneamente, sem coação, movido pela vontade própria". Comemorado nesta sexta-feira (28), o Dia Nacional do Voluntariado relembra a importante participação dessas iniciativas e dessas pessoas que, com boa vontade, amenizam as carências e as demandas da população mais vulnerável da cidade.

Sobretudo neste momento em que a pandemia intensificou muitas necessidades, eles afirmam que se tornaram grandes aliados de quem teve a vida golpeada pelo forte impacto das consequências do isolamento social.

Isabel Aiko Takamatsu Silva, de 62 anos, conhece bem essa realidade. Ela sempre realizou trabalhos voluntários por conta própria com doações de roupas, cobertores e alimentos na região onde mora em Bauru, no Gasparini, e nas proximidades. Porém, neste período Isabel sentiu a força que os trabalhos voluntários tinham na vida de cada um dos atendidos.

GRATIFICANTE

Atualmente, a voluntária entrega kits de café da manhã, todos os sábados, em frente à sua casa, além de cerca de 80 marmitex de 15 em 15 dias em diversos bairros. "Faço esse trabalho com a Casa da Sopa e continuo com outras atribuições no bairro e em conselhos. Penso que todos podem ser voluntários, basta tirar uma hora de seu dia para se dedicar aos outros sem esperar nada em troca. São muitas as pessoas que precisam de ajuda, principalmente agora. E o trabalho é muito gratificante", afirma.

Isabel ainda destaca que não é difícil tornar-se um voluntário. "As pessoas acham que para fazer o voluntariado tem que aparecer. Muito pelo contrário. Se alguém pede um alimento na porta da sua casa e você consegue ajudar, isso já é ser voluntário. Mas tem como ir aos locais, conhecer as realidades de onde essas pessoas estão e ficar ainda mais motivado a dividir com os demais", diz.

BRINQUEDOS E COMIDA

Também acostumado a realizar o voluntariado em todo final de ano, com entrega de brinquedos para crianças internadas no Hospital Amaral Carvalho, o professor de matemática Romulo Marata, de 42 anos, passou a atuar mais firmemente durante a quarentena. "Por meio da catequese do meu filho, soube que estavam precisando de pessoas para ajudar o projeto CoronaVida. Fui conhecer, comecei descarregando rolos de TNT e passei a participar. Hoje, entrego cestas básicas e máscaras com a minha moto", afirma.

Para ele, o voluntariado é uma forma de agradecimento e retribuição. "Tem quem cruze os braços e reclame e tem quem se disponha a fazer coisas boas. Existem formas de ajudar as pessoas, existem coisas boas para se fazer", comenta Romulo.

SEM OBRIGAÇÃO

Pensando nessas diversas formas de ajudar a quem precisa, o aposentado Fernando Augusto de Barros Vieira, de 65 anos, passou a participar de diversos grupos de voluntariado a partir do ano de 2007. No momento, ele doa seu tempo nos projetos "Esquadrão do Bem - Somos unidos no amor" e "Amigos do Bem". "Ao longo dos anos e com atividades no Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac), fui aprendendo muito sobre voluntariado, a trabalhar com os pedidos e com os bazares. Hoje, faço entregas de máscaras, cobertores e refeições", conta.

Ainda segundo Fernando, determinados momentos valem todo e qualquer esforço despendidos. "Já houve dias em que entreguei marmita às 19h30 da noite e as pessoas agradeceram, emocionados, pois era a primeira refeição que fariam naquele dia", conta. "Acho que todos podem ser voluntários, desde que não pensem que existe a obrigação disso, que 'têm que' fazer o bem. Basta procurar os projetos, as igrejas, a comunidade de seu próprio bairro. São algumas opções que estão sempre precisando de mais gente comprometida em colaborar", finaliza.

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