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Testagem em massa aumenta os registros de leishmaniose

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Transmitida através da picada do mosquito-palha, a leishmaniose é bastante comum em cães, mas também pode acometer o ser humano. Em busca de melhor controlar a doença, a Prefeitura de Bauru, em parceria com o Adolfo Lutz, a USP de São Paulo e a Unesp de Presidente Prudente, realizou um inquérito amostral no qual testou cerca de 6 mil animais de todas as regiões da cidade. A iniciativa, prevista em um projeto de pesquisa que visa encontrar alternativas inovadoras à eutanásia dos bichos, fez com que os registros da doença em cães aumentassem neste ano, em comparação com o anterior.

Para se ter ideia, 372 animais testaram positivo para leishmaniose em 2019 inteiro. No mesmo período, 445 acabaram eutanasiados. O número de procedimentos do tipo foi maior do que o de casos confirmados, porque muitos receberam o diagnóstico dentro do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e não entraram para as estatísticas do inquérito epidemiológico realizado pelo órgão. Há também a situação que o diagnóstico foi feito em anos anteriores e os donos só entregaram os cães para a eutanásia depois de bastante tempo.

Neste ano, até agora, o número de ocorrências confirmadas em animais subiu para 414 e houve 164 eutanásias. Segundo a chefe da Seção de Controle de Zoonoses, a médica veterinária Valéria Medina Camprigher, o projeto é financiado pela Fapesp.

Das 414 confirmações de 2020, cerca de 300 surgiram após esta iniciativa. "As estatísticas estão dentro do esperado, já que a prevalência da leishmaniose, em Bauru, varia de 5% a 8%", pontua.

O inquérito amostral propriamente dito se deu entre outubro de 2019 e março de 2020. Com a chegada da pandemia, a pesquisa ficou parada, mas o grupo pretende retomá-la no mês que vem. A partir dos resultados dos testes já feitos, a equipe discutirá inovações para tratar e controlar a doença sem eutanasiar os animais. Por enquanto, tal medida ainda é recomendada pelo Ministério da Saúde.

INQUÉRITO

A médica veterinária explica que o CCZ nunca deixou de executar o inquérito epidemiológico. Nele, a Vigilância Epidemiológica informa a existência da doença em humanos e o endereço dos pacientes. "A nossa equipe testa todos os cães em um raio de até 400 metros das casas das pessoas acometidas pela enfermidade", acrescenta.

Quando os animais reagentes têm donos, o órgão apresenta as opções, entre elas, está o tratamento, que precisa ser feito da porta do CCZ para fora. Existe, ainda, a eutanásia, que a própria instituição pode executar.

Se os bichos não possuírem proprietários, "mas não estiverem em sofrimento, aguardamos de cinco a sete dias. No decorrer deste tempo, divulgamos fotos na mídia e esperamos pelo resgate. Caso ninguém apareça e haja sintomatologia, precisamos fazer a eutanásia. Porém, graças a Deus, isso acontece bem pouco".

Em 2019, o município contabilizou seis casos de leishmaniose em humanos e três óbitos. Neste ano, até o momento, o poder público registrou quatro ocorrências e nenhuma morte.

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