Ainda na adolescência, quando estudava no Colégio Seta, em Bauru, o hoje assessor diplomático da Presidência da República Tiago Siscar foi apresentado a um almanaque vocacional e, de imediato, se identificou com a carreira de diplomata. "Não tive dúvidas: havia encontrado a profissão ideal", conta.
Nascido e criado no município, filho de Roberto e Claudia Siscar, o profissional se inspirou no exemplo dos seus pais e avós: dedicação ao trabalho e à vida em família, sob a proteção de Deus.
Casado com Maria Emilia Siscar, com quem vive em Brasília, ele também fala com carinho sobre os colegas da Assessoria Internacional da Presidência da República e, sobretudo, o seu chefe imediato, o professor Filipe Martins.
A seguir, ele relata as suas experiências enquanto um dos braços direitos do presidente Jair Bolsonaro quando o assunto é a política externa brasileira, sem deixar de mencionar a sua origem. Recentemente, participou de uma conferência virtual com o presidente da França Emannuel Macron. Confira alguns trechos da entrevista:
Jornal da Cidade - Você nasceu em Bauru, certo? Onde estudou na cidade? E depois?
Tiago Siscar - Eu nasci e cresci em Bauru, onde também concluí a maior parte da minha formação. No decorrer do Ensino Fundamental, passei pelos colégios São José e Atheneu. Estudei quase o segundo grau todo no Seta. Depois, me formei em Direito, na ITE. Fora da cidade, cursei Pós-Graduação em Direito Internacional, na PUC, em São Paulo. Finalmente, no Exterior, fiz um intercâmbio de um ano na Fairview High School, nos EUA, bem como alguns cursos complementares na França, Argentina e Holanda.
JC - Quando foi despertado para a carreira de diplomata?
Siscar - Durante o primeiro ano do Colegial, no Seta. Na época, chegou até mim, na sala de aula, uma espécie de almanaque vocacional, em que eram apresentadas as mais diversas ocupações, uma por página. Eu passei a folhear aquilo sem grande interesse, mas fixei os olhos no descritivo da carreira de diplomata. A identificação foi imediata, de modo que não tive dúvidas: havia encontrado a profissão ideal.
JC - Como chegou a Brasília?
Siscar - Tão logo eu me decidi pela carreira diplomática, tratei de enfrentar as disciplinas normalmente cobradas pelo concurso do Instituto Rio Branco (IRBr). Passei, então, a me dedicar, em cursos no Exterior, ao domínio das três línguas estrangeiras exigidas: inglês, francês e espanhol. Em paralelo, fiz faculdade e pós-graduação na área do Direito, de modo a cobrir mais alguns itens do programa de estudos. Quanto às demais matérias, tentei suprir as minhas deficiências em cursinhos especializados e estudos em casa, por conta própria. Depois de algumas tentativas, tudo deu certo ao final, graças a Deus e ao apoio da minha família.
JC - E sobre a sua trajetória em Brasília? Como se tornou assessor diplomático da Presidência da República?
Siscar - Em 2016, vencida a etapa do concurso, eu tomei posse como terceiro-secretário. Em 2017, dei início ao curso de formação no IRBr. Cerca de um ano e meio depois, éramos integrados às diferentes áreas do Itamaraty. No meu caso, acabei lotado na Divisão do Sul e Sudeste da Ásia, que cobre as relações políticas bilaterais do Brasil com os países daquela região. No final de 2019, me convidaram para uma entrevista na Assessoria Internacional da Presidência. Deu certo.
JC - Como você enxerga a política externa brasileira atualmente?
Siscar - Em âmbito pessoal, eu devo dizer que a avalio muito favoravelmente. Por muito tempo, circulou uma ideia de que a política externa brasileira estaria fora do alcance da vontade popular. Porém, quem determina o sentido geral da mesma é o presidente. O povo confere tal competência a ele. Por isso, o governo busca, desde o início, resgatar a relação direta entre política externa e vontade popular, honrando o projeto vitorioso nas eleições de 2018.
JC - Durante a pandemia da Covid-19, o Itamaraty foi muito acionado?
Siscar - O Itamaraty, em particular, coordena um amplo trabalho de repatriação de brasileiros retidos no Exterior em função das restrições de viagem. Até o momento, foram trazidos de volta, em total segurança, mais de 30 mil concidadãos dispersos em todo o mundo.
JC - Recentemente, você esteve em uma reunião com o presidente da França, Emmanuel Macron, certo? Como foi?
Siscar - Muito produtiva. A reunião virtual em solidariedade ao Líbano contou com um número expressivo de autoridades de alto nível, que transmitiram mensagens de apoio e anunciaram doações, além de outras medidas de caráter humanitário. Com o Brasil, não poderia ser diferente: o governo faz todo o possível para socorrer o povo libanês neste momento difícil. Conforme o presidente destacou em sua alocução, vivem aqui cerca de 10 milhões de descendentes de libaneses, de modo que tudo o que acontece no Líbano repercute entre nós.
JC - Qual é a sua perspectiva para o futuro?
Siscar - As coisas estavam, finalmente, entrando nos eixos no começo do ano, mas a pandemia virou tudo de cabeça para baixo. Ao povo brasileiro e ao presidente Jair Bolsonaro, se aplica o conceito de antifragilidade, descrito pelo escritor libanês-americano Nassim Taleb: qualidade daquilo que não apenas resiste ao choque adverso, mas sai do confronto ainda mais fortalecido. Tenho certeza de que o Brasil é antifrágil.