Ao menos duas dezenas de cosméticos com vitamina C foram lançados, globalmente, nos últimos anos. A grande popularidade tem relação direta com os vastos benefícios do ativo, de seu emprego nos mais distintos tipo de pele e de muita pesquisa científica endossando seu uso seguro. Mas será que todo produto que tem em sua propaganda a vitamina C como estrela ostenta, de fato, a substância em seu estado puro na fórmula?
Multifuncional, a vitamina C é o ativo queridinho do momento por, de uma só vez, proteger a pele dos danos causados pelos radicais livres de diferentes origens, como a radiação UV, energia infravermelha, poluição e estresse. Além disso, tem intensa ação corretiva em rugas, aumenta a firmeza da pele, clareia manchas e diminui possíveis inflamações.
Pura x derivada
Basicamente, existem dois tipos de vitamina C no mercado cosmético: a pura, conhecida cientificamente como ácido ascórbico, e o derivado de Vitamina C. "O grande diferencial entre essas duas classificações está na ação antioxidante. Diferentes estudos da literatura científica demonstram que a pura possui ação antioxidante superior, se comparada aos seus derivados, garantindo assim uma maior proteção contra a ação nociva dos radicais livres", diz José Euzébio, farmacêutico técnico em química, responsável pela comunicação científica da SkinCeuticals Brasil.
Para saber se o produto de beleza tem a potente Vitamina C em seu estado puro, o ideal é ler as minúsculas letras do rótulo. Você a encontra por lá como ácido L-ascórbico. Já os derivados possuem outras nomenclaturas. "Eles são o ascorbil fosfato de sódio, ascorbil fosfato de magnésio, ascorbil tetraisopalmitato e ascorbil glucoside," diz Ana Cristina Martins Ferreira, especialista em dermatologia da Clínica Mais, de São Paulo.
Segundo a médica, mesmo sendo menos potentes do que a versão pura na ação antioxidante, os derivados são mais trabalhados comercialmente por terem maior estabilidade. Ou seja, nem sempre uma vitamina C pura em forma de creme ou sérum está entregando seus benefícios, uma vez que a manipulação ou variações de temperatura podem fazer com que ela oxide e perca a função.
Então é comum encontrá-la como ácido ascórbico em produtos com data de validade mais enxuta, em pipetas ou em pó, para misturar apenas na hora da utilização. Para mantê-la ativa, nada melhor do que ler o rótulo do produto e seguir as recomendações de uso e armazenamento. Elas podem variar drasticamente de acordo com cada fabricante.