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Quase a metade dos brasileiros viu renda familiar diminuir na pandemia, diz Datafolha

FolhaPress
| Tempo de leitura: 3 min

Quase metade dos brasileiros viu sua renda familiar diminuir com a pandemia do coronavírus, aponta pesquisa Datafolha. Entre informais, autônomos e empresários, a perda de renda atingiu dois de cada três entrevistados.

Segundo o Datafolha, 46% dos brasileiros constataram redução de sua renda familiar devido à pandemia. Outros 45% dizem que a renda de sua família ficou igual e 9% tiveram aumento do rendimento familiar, mesmo em meio à crise. O instituto ouviu 2.065 pessoas por telefone em 11 e 12 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Por faixa de renda, os trabalhadores com renda familiar até dois salários mínimos são os que mais relatam perda de rendimento (48%). O percentual diminui para 46% entre trabalhadores com renda familiar entre dois e cinco salários, a 36% para aqueles com renda entre cinco e dez salários e a 34% para os profissionais cujas famílias ganham mais de dez mínimos.

Por tipo de ocupação, assalariados sem registro são os que mais relatam perda de renda familiar (61%), seguidos por empresários (56%) e autônomos (54%). Já por tipo de isolamento na pandemia, 48% dos que estão saindo de casa só quando inevitável relatam perda de renda familiar, comparado a 30% dos que dizem que estão vivendo normalmente.

Considerando a avaliação do governo, 52% do que acham o governo Bolsonaro ruim ou péssimo relatam perda de renda da família, comparado a 39% dos que consideram o governo ótimo ou bom.

Entre os entrevistados que dizem que a renda de sua família aumentou na pandemia, o maior percentual é registrado no Nordeste (15%) e Centro-Oeste e Norte (12%). Por cor, pretos (11%) e pardos (10%) sentiram mais esse efeito do que brancos (7%) e amarelos (5%). O auxílio emergencial provavelmente explica em parte esse aumento de renda em meio à crise.

Segundo dados do IBGE, as regiões Nordeste e Norte concentravam maior proporção de pessoas em extrema pobreza antes da pandemia - aquelas com renda inferior a R$ 145 por pessoa por mês. A baixíssima renda também era mais prevalente entre pretos e pardos.

Com o auxílio emergencial, algumas dessas pessoas muito pobres passaram a ter renda maior do que antes da crise, já que o valor do benefício pode chegar a R$ 1.200 por família, contra média de R$ 190 do Bolsa Família. Conforme estudo recente da FGV, o auxílio levou o número de brasileiros em extrema pobreza ao menor patamar em 40 anos.

Ainda segundo o Datafolha, entre os entrevistados que receberam pelo menos uma parcela do auxílio, 60% relatam perda de renda familiar devido à pandemia, outros 27% dizem que a renda de sua família ficou igual e 13% relatam que a renda da família aumentou. Entre os que não pediram o auxílio, os percentuais são de 36%, 55% e 8% respectivamente.

OCUPAÇÃO

O coronavírus também mexeu com o perfil da ocupação no País, mostra o Datafolha. Dos entrevistados, 28% dizem que eram assalariados registrados antes da pandemia, percentual que caiu a 21% no momento atual. Já os desempregados em busca ativa por trabalho eram 4% antes da pandemia e chegaram a 12% atualmente. Ao mesmo tempo, os desocupados que não estavam procurando trabalho subiram de 1% para 5%.

Assim, chegam a 17% os sem emprego, somando aqueles que estão procurando e os que não estão buscando oportunidades de trabalho. As mulheres que se identificam como donas de casa passaram de 6% antes da pandemia para 9% atualmente, aponta ainda a pesquisa.

 

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