Ser

A sós e bem acompanhados

Mariana Coutinho
| Tempo de leitura: 3 min

Graças à pandemia do novo coronavírus, o elopement wedding (casamento de fuga, em livre tradução do inglês) acaba de ser atualizado. O modelo que entrou na moda há alguns anos, com noivos trocando votos em cerimônias íntimas em local isolado, apenas com um celebrante e um fotógrafo, foi popularizado diante do necessário cancelamento das grandes celebrações. E tornou-se a única saída para não adiar o casamento até para quem sonhava com uma festa para 300 convidados. Familiares, padrinhos e amigos não precisam ficar de fora: com a ajuda da tecnologia, todo mundo pode testemunhar o "sim".

A profissional de marketing Sarah Cotecheski, 26 anos, e o piloto de avião, Guilherme Beggiato, 25, aderiram ao modelo e transmitiram o casamento ao vivo no YouTube, no dia 21 de julho, com a "presença" de 400 pessoas (agora o evento já soma mais de 4 mil visualizações). Foram três câmeras para capturar diferentes ângulos, além de um drone, que filmou a valsa do casal logo após os votos. A celebração foi realizada por um pastor e um amigo da noiva improvisou os acordes. Apenas os quatro participaram do brinde oficial. "Meu pai ficou chateado, porque queria me levar ao altar. Mas o lado bom é que pessoas que não poderiam vir conseguiram acompanhar todos os detalhes", avalia Sarah.

Ela e o noivo programavam se casar apenas em 2021 mas, além da Covid-19, foram surpreendidos com um bebê a caminho. "Na verdade, eu já planejava meu casamento há uns cinco anos, antes mesmo de ter noivo", confessa Sarah. "Nunca quis casar no campo. Preferia uma paisagem mais urbana", ela explica, sobre a ideia de trocar alianças em um heliponto de Curitiba, onde mora.

Nos cartórios de todo o País, as lives viraram moda. No 5º Registro Geral da Capital, em Botafogo, Rio, as entradas para casamentos tinham caído 70% no início do isolamento. Desde abril, no entanto, quando o ofício montou uma estrutura para realizar casamentos por videoconferência, a demanda voltou a ser alta. Até meados de agosto, cerca de 150 uniões foram realizadas nesse esquema.

A cerimonialista Letícia Fülop acredita que a moda do "web casamento" veio para ficar. "Talvez haja uma mistura do presencial com a transmissão on-line quando a pandemia passar", diz. De olho neste momento, ela criou, com a designer Victoria Scholte, o site Só o Santo Ajuda, que promove a compra e a venda de produtos de casamento. "É bom para o casal que quer vender algo usado e para quem quer gastar menos nesse momento de perdas financeiras", ressalta Victoria.

SEM GRANDES CELEBRAÇÕES

A cerimonialista Raquel Abdu não vê grandes celebrações acontecendo tão cedo, muito menos com pista de dança: "Depois de alguns drinques, os convidados esquecem do distanciamento". Para as pequenas, ela lista os protocolos: higienização por túnel de desinfecção, aferição de temperatura, equipe trocando de máscaras e luvas a cada duas horas e mesas divididas por famílias.

Foi assim no matrimônio da nutricionista Thais Pereira, de 28 anos, com o professor Otávio Norá, de 32. Eles tinham o enlace marcado para 25 de abril, mas mudaram a data para 11 de julho. Católicos, faziam questão de uma bênção e, por isso, organizaram um casamento na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, em Niterói. A celebração também foi transmitida na internet.

Os bancos de madeira da igreja foram substituídos por cadeiras de plástico e os 40 convidados usaram máscara e mantiveram distância no espaço com capacidade para 600 pessoas. "Uma vantagem foi que, ainda no carro, pude ver as entradas dos meus pais e do noivo ao vivo, pelo meu celular", destaca Thais. A festa maior ela deixou para 2021.

 

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