Cultura

'Temos que dar lugar para o humor'

Eliana Silva de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

Em tempos de pandemia, as gravações presenciais de programas de TV ainda ensaiam um retorno. A saída é usar a tecnologia para manter os artistas em casa e conseguir produzir o efeito desejado. É o que estamos  vendo na nova fase do humorístico Zorra, na Globo, com direção geral de Mauro Farias. Entre os destaques, está a chegada do ator Diogo Vilela, que está contando com a ajuda do irmão para fazer as gravações em casa. "É um trabalho em grupo que nunca havia sido feito antes", disse ele, em entrevista por e-mail.

Como foi planejado o programa nessa versão online?

Diogo Vilela - Na verdade é a equipe do Zorra que, com muito talento e empenho, está fazendo acontecer. Eu acho que todos estão fazendo um trabalho incrível de coordenar todas as pessoas, roteirizar as cenas. Agora, nós atores, do lado de cá, estamos nos acostumando a lidar com a câmera, com a luz que eles mandam. Eu tenho a sorte de contar com a ajuda do meu irmão, que está fazendo a quarentena comigo, ele tem habilidade muito grande com essa questão tecnológica, então tem me ajudado muito. 

Como foram os ensaios? Teve improviso?

Diogo Vilela - Nós temos um ensaio técnico e uma leitura de texto todas as segundas, para ajustarmos a questão de luz, enquadramento etc. E daí, gravamos valendo em um outro dia. Mas de cena, só ali na hora mesmo. Sobre o improviso, não, de forma alguma, as nossas falas são todas escritas pelos redatores do Zorra, que por sinal são sensacionais. O texto é primoroso e não há nada a acrescentar. Parece que me conhecem há anos (risos).

Como é interagir com os colegas estando distante?

Diogo Vilela - Eu acho até uma coisa curiosa isso, pode ser encarado como um exercício cênico de concentração e de imaginação. De imaginar como será a reação do colega a uma fala minha. ‘Temos que criar a cena imaginando, supondo a réplica do colega’. O texto nos dá tudo de ‘bandeja’, então é só adequar a nossa intenção à feitura remota da cena. Então, de modo geral, acho isso muito interessante. 

Como é estar contracenando novamente com a Marisa Orth? Conhecê-la de outros programas facilita a vida?

Diogo Vilela - Olha, a melhor coisa é que eu já conhecia os colegas de outros trabalhos, e principalmente a Marisa, então isso facilita bastante. Eu digo que eu e a Marisa temos um chamado ‘casamento cênico’. Nós já atuamos diversas vezes juntos. Às vezes, a gente se olha e já sabe qual vai ser a intenção do outro ali na cena, então isso é muito especial. 

Qual a força do humor nesse momento de incertezas?

Diogo Vilela - O artista sempre trabalha com momentos difíceis em todas as circunstâncias, porque sobreviver de arte no Brasil é muito difícil. Eu me considero uma pessoa de sorte, por que eu tenho uma carreira riquíssima e bem-sucedida, eu acho que o difícil é você se desligar um pouco. E acho que a gente está vivendo um momento especialmente trágico, na minha opinião. E o Zorra vem para trazer uma leveza para todos aqueles que estão sofrendo com uma ansiedade enorme. Também temos que ceder um lugar para o humor no nosso dia a dia, e o Zorra vem aí pra cumprir esse papel. Eu sinto que as pessoas têm buscado muito isso, esse relaxamento.

Guarda algum personagem com mais carinho?

Diogo Vilela - O personagem que eu mais gostei de fazer em novela foi o Fortunato em Quatro Por Quatro, e adorei fazer o Uálber de Suave Veneno, o Leozinho de Sassaricando. Ah!, eu gostei de fazer todos. Eu me envolvo demais com os personagens quando eu faço novela. É difícil escolher. Eu não fiz tanta novela assim, mas, graças a Deus, tive ótimos personagens!

Estava empolgado em participar do "Show dos Famosos", que foi adiado por causa da Covid-19?

Diogo Vilela - Eu estava super feliz com a oportunidade de participar do Show dos Famosos no programa do Fausto. Esse quadro é fantástico e revela o real talento do artista em todos os sentidos. Na maneira dele atuar, na dança, no canto, e isso eu já faço há anos no teatro. Eu me preparei bastante para o quadro e adoraria fazê-lo. Eu estudo canto lírico desde 1996, e no teatro musical eu tenho explorado bastante esse meu lado, que talvez o público de TV não conheça tanto, então seria muito bacana participar do quadro.

Como está sua quarentena?

Diogo Vilela - Tenho tanta coisa pra fazer em casa (risos), aconteceram tantas coisas na minha vida nessa pandemia, o trabalho no Zorra, que não dá nem pra ficar chato.

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