Foi mais ou menos assim: "Vocês precisam sair daí. A casa (o barraco) pode cair a qualquer momento. Aquela árvore põe em risco tudo, porque ela pode cair sobre a casa". O prazo é até outubro.
A solução: construir três cômodos a 100 metros do local mencionado. É provisório. Só até ficarem prontos os predinhos para onde vão todos que 'moram' nos barracos. Mas quando vão ficar prontos os predinhos? "Não sabemos. Era para o ano passado. Até teve invasão. Mas tiraram todo mundo de lá". Enquanto isso, o buraco que começou tímido há muitos anos, se transformou em uma enorme erosão, capaz de engolir os barracos construídos ao longo do buraco, que não era cratera, mas cresceu e virou um monstro.
Pensa que isso é ficção? Não. É a realidade enfrentada por muitas famílias que moram, sobrevivem ou tentam viver em uma favela de Bauru. Depois do anúncio de que era necessário sair de perto do buraco, não houve nenhum tipo de ajuda para a retirada das pessoas dos barracos. Espera, houve alguma coisa: estão canalizando o buraco, quer dizer, o esgoto ou riacho que passa dentro do buraco.
Parece uma história criada com requintes de detalhes, só para impressionar quem lê. Mas não é. É a realidade que se arrasta há anos, passando de administração para administração sem que se apresente uma solução. Talvez, o resgate da dignidade das pessoas que por lá sobrevivem. Ou, quem sabe, o começo de uma vida decente para todos. Mas tudo isso são detalhes.
A realidade é bem outra. Foi dada a largada para as eleições municipais. A partir deste mês de setembro começa a maratona das campanhas. São 13 candidatos ao cargo majoritário. Uma infinidade buscando um lugar na Câmara. Eles vão conhecer o buraco e prometer para as famílias que a solução virá em breve. Ah! Não se esqueçam dos predinhos.
Não seria possível inverter tudo? O primeiro que resolver o problema, antes das eleições, será o escolhido. Seria interessante. Antes de prometer, fazer o necessário para melhorar a condição de vida das pessoas. Mas isso é impossível. Não é. Quem pode gastar rios de dinheiro em campanhas, pode mostrar resultados antes de só fazer promessas. É possível envolver a iniciativa privada, as universidades, todos em sintonia para resolver problemas. Afinal, empresas também patrocinam campanhas. Por favor, sem propina.
Isso sim é pura ficção!
A autora é jornalista, colabora com Opinião.