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O verbo Mulherar

Rosana Poli
| Tempo de leitura: 2 min

Há alguns dias estava lendo um artigo da psicanalista da Universidade de São Paulo (USP) Helena Albuquerque sobre o tema "mulherar". Achei muito interessante, até porque não havia me deparado com esse tipo de denominação ainda. Ela falava sobre como as mulheres costumam fazer tantas coisas juntas… Não é raro vê-las em grupo nos cinemas, viajando, tomando uma cervejinha, olhando vitrines, caminhando, reunidas para um cafézinho etc etc… Isso tudo sem parar de falar um minuto... Haja fôlego! A gente fala pra caramba com um repertório invejável… Acaba um assunto e em seguida começamos outro. Filhos, profissão, relacionamentos, política, economia, tpm, menopausa, troca de receitas, cremes e por aí vai… Assunto é o que não falta! Na verdade, as mulheres quando são "realmente amigas" bordam e tricotam: brigam, fazem as pazes, choram (ah, como a gente chora, dependendo do assunto), dão muita risada, acompanham, se preocupam e cuidam uma das outras numa troca de experiências recíproca. Esse é o verdadeiro significado o verbo "mulherar".

Nas diversas atividades em companhia das amigas, a subjetividade de cada uma acaba se entrelaçando à outra e nos ajuda em vários aspectos da vida. Como passar pelos relacionamentos, pela maternidade, pelas alegrias, tristezas, conquistas e vitórias… Ah, se não fossem as amigas-irmãs… Até no nosso luto pela perda de pessoas tão amadas elas estão presentes. Ou melhor, nos presenteando com atenção, carinho e palavras de conforto. A gente acaba deixando um pouquinho de nós em cada uma, numa verdadeira troca… Quanta gratidão eu tenho por "amigas-irmãs" e "primas-irmãs" que fazem parte da minha vida! São poucas, mas valem ouro!

Mais experientes ou menos que eu, me ajudam a atravessar períodos tristes e felizes. E a reciprocidade é a mesma! Como diz Helena Albuquerque, "a vida seria muito dura se não fosse pelas amigas-irmãs com as quais podemos falar e elaborar tanto as dores como as delícias que vamos experimentando ao longo da nossa estrada¨. Segundo ela, "Mulherar" ajuda a fabricar um tecido psíquico que vai criando novos desenhos e novas formas de pensar e dar sentido às nossas vivências e à nossa história¨.

Eu, graças a Deus, tenho amigas-irmãs e primas-irmãs que estão e sempre estiveram presentes na minha vida… Nos ajudamos mutuamente. Renovando nossa alma, redescobrindo e reiniciando a felicidade todos os dias.

Com o tempo a gente vai aprendendo, juntas, as lições dessa vida. Que ser feliz é uma escolha diária, que mais vale o "ser do que o ter", que a abundância tem a ver com a gratidão, e que o destino final não importa tanto assim… O importante é que estamos "mulherando"!

A autora é jornalista, mestre em comunicação midiática pela Unesp Bauru.

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