A chegada da pandemia de coronavírus interrompeu os esportes amadores que exigem contato físico e muitos esportistas estão trocando modalidades coletivas pelo distanciamento que o tênis proporciona. E isso tem ocorrido no Bauru Tênis Clube (BTC).
O tênis bauruense sempre representou a cidade com diversos títulos e possui seis mundiais. O BTC tem quatro estrelas mundiais (Luiz Carlos Barros César, com um bicampeonato universitário, Cláudia Faillace, campeã mundial infantil, e Roger Guedes, campeão ITF Sêniors). Além deles, o bauruense Meca também tem dois títulos, pelo Paulistano, e simples de duplas pela ITF Sêniors. Quatro especialistas no tênis opinaram sobre o aumento do número de praticantes durante os últimos meses.
ROGER GUEDES
Ex-profissional e ex-top-80 do ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), Roger Guedes, 66 anos, segue praticando tênis diariamente, com todos os cuidados sanitários, e espera retornar aos campeonatos internacionais em 2021. Segundo ele, a vantagem do tênis é a distância entre os praticantes e o fato de se jogar ao ar livre. Ele cita que tem acompanhado que em todo o Brasil, não só em Bauru, o número de praticantes está aumentando exponencialmente em 2020. "No tênis você precisa apenas de mais um para dar jogo, diferentemente dos esportes coletivos. Eu não parei de praticar em nenhum momento. Me sinto muito seguro ao vir para quadra e jogar", comenta Guedes.
CELSO SACOMANDI
O consultor e ex-tenista Celso Sacomandi, 60 anos, que foi fenômeno nacional em sua juventude, concorda que a prática do tênis é segura, com relação a contágio da Covid. "Apesar de meu estado de saúde, sendo portador da adrenoleucodistrofia, doença degenerativa, me sinto tranquilo e apto a praticar o esporte com frequência, sobre duas rodas", comenta. Ele acrescenta que a Covid-19 impactou o tênis de forma financeira. "Alguns dos principais torneios do mundo foram cancelados, como a Copa Davis e Wimbledon. As premiações não mudam, mas os tenistas vão perder receita pela diminuição de torneios. E os organizadores foram impactados pela ausência de bilheteria", comenta.
MECA
Júlio Góes, o Meca, 64 anos, que dá aulas de tênis no tradicional Club Athletico Paulistano, de São Paulo, os clubes da Capital ficaram fechados, assim como BTC, mas só abriram um bom tempo depois, no último dia 20 de julho. Por lá, as aulas de tênis só foram autorizadas a retornarem no dia 10 de agosto. Em Bauru o retorno aconteceu há quase três meses. Segundo Meca, devido a quantidade de casos de Covid-19 em São Paulo e muito em função de os clubes ficarem fechados por longo período, os praticantes de tênis estão retornando gradativamente.
CARLOS CURY
O tenista tetracampeão dos Jogos Abertos do Interior e médico, Carlos Cury, 75 anos, ressaltou a importância do fortalecimento imunológico por meio das atividades físicas. "Praticar o tênis não é só seguro, do ponto de vista de contaminação, mas nos faz respirar melhor e mais forte. Sempre, claro, com os devidos cuidados", acrescenta.
O espaço que fica uma quadra de tênis, que compreende pilares e grades do entorno, tem uma área total de quase 700m², segundo o BTC.