Poderia ser um dos principais pontos de visitação, lazer e prática esportiva de Bauru. Deveria ser também um lugar agradável e rico em natureza, e não só um complexo viário. Potencial e espaço, não faltam. Mas os moradores que já sonharam um dia com isso, se dizem frustrados. Inaugurada em 18 de junho de 2011, pelo então governador Geraldo Alckmin, o prefeito da época e hoje deputado federal Rodrigo Agostinho e o então deputado estadual Pedro Tobias, o trecho de 3,5 quilômetros da avenida Nações Norte foi noticiado na época como a principal obra do governo do Estado em muitos anos em Bauru.
Este prolongamento, inclusive, era visto, conforme reportagem do JC na época, como um acontecimento para impulsionar o desenvolvimento da região Norte. De fato, segundo moradores de bairros do entorno, isso ocorreu nos primeiros anos. Mas a expectativa foi se esvaecendo. Hoje, o que se encontra é um contraste: uma pequena área bem cuidada, que foi revitalizada por uma empreiteira que construiu condomínio em uma rua conectada a Nações Norte, e todo o resto com problemas. Seja de lixo, restos de construção, mato alto, bebedouros quebrados, ciclofaixa com muito lodo e vazamento de água que já dura anos.
A educadora Márcia Andrade, 45 anos, moradora do Jardim TV, destaca que usa muito a Nações Norte, diariamente, tanto para trafegar com veículo e fazer caminhadas. Ela reclama que o local tem muito lixo jogado, que leva muito tempo para ser recolhido, animais de pastagem que escapam de terrenos e invadem a pista, oferecendo risco de acidente, calçadas quebradas e vazamentos. Ela cita que se sente segura ao caminhar a noite, devido a iluminação adequada e o grande fluxo de pessoas se exercitando entre 18h e 20h.
"GETÚLIO DOS POBRES"
A munícipe acrescenta ainda um comparativo da Nações Norte com outro ponto tradicional da cidade. "Aqui é a 'Getúlio Vargas dos pobres', para a prática esportiva. A diferença é que lá na Zona Sul você não é obrigado a fazer exercícios ao lado de lixo, de entulho, mato alto, pneu, não precisa desviar de buracos na calçada e de poças de água causadas por vazamentos", critica.
CONTRASTE
A reportagem percorreu toda a extensão da Nações Norte, marginais, ruas adjacentes e constatou diversos problemas, exceto no acesso da recentemente construída avenida Silvino Ferreira, que liga a via a um novo condomínio de alto padrão. Por lá é tudo novo: ciclovia, calçadas e bueiros. Contraponto isso, logo no início da marginal do quilômetro 1, mais próximo da rotatória que liga a Nações com a avenida Moussa Tobias, sentido Centro-bairro, existe um trecho intransitável de calçada e ciclovia, escorregadio, com muito lodo e vazamento de água abundante. Nos outros pontos foram observados pneu velho, mochila, garrafas, chinelos, pedaços de roupa e variados objetos descartados. No dia 18 abril de 2019, o JC fez reportagem sobre a precária situação das ciclovias de Bauru, na época, e este mesmo vazamento segue até hoje sem nenhuma solução. Uma outra vazão de água foi notada no início do lado oposto da marginal da via, no sentido rodovia-Centro, ao lado de um hidrante.
RESPOSTAS
O DAE explica que em um dos pontos de vazamento, aparentemente, é de mina aflorante. "A água que escorre na calçada deveria ser canalizada para cair na sarjeta, não sendo proveniente de rede de água do DAE, sendo de responsabilidade do proprietário", diz a nota. Sobre a vazão ao lado do hidrante, o DAE afirma que uma equipe irá avaliar a ocorrência e programar trabalhos necessários. Já a prefeitura informa que a Semma vai vistoriar o local para ver como resolver o problema da mina aflorante. Uma vistoria desse local e das demais áreas citadas está programada para esta semana.