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Covid-19: Peru é o líder em mortes

FolhaPress
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Buenos Aires  - O Peru é hoje o país com mais mortos devido à Covid-19 por 100 mil habitantes no mundo, enfrenta a crise gerada pela pandemia de coronavírus tanto em termos sanitários quanto econômicos.

Segundo dados da universidade Johns Hopkins, o país sul-americano, com uma taxa de 93,28 mortos por 100 mil habitantes, desbancou a Bélgica (86,75 óbitos/100 mil), líder desse ranking até o fim de agosto.

Desde o final do mês passado, no entanto, o Peru indica uma queda leve na cifra de mortes e uma diminuição mais acentuada na de infecções por coronavírus. E, há pouco mais de duas semanas, a barreira de 200 óbitos diários não é ultrapassada.

Assim, o Peru chegou ao topo do índice per capita também devido à redução drástica de mortes na Bélgica, que não registra mais de 10 mortes diárias desde 20 de agosto. No pico, em abril, o país europeu de 11,46 milhões de habitantes contou 321 óbitos em um único dia, número que o Peru nunca atingiu.

BRASIL É OITAVO

O Brasil, para fins de comparação, com 60,61/100 mil, é o oitavo da lista, se desconsiderados San Marino e Andorra, cujas populações, 33.785 e 77.006, são muito menores que as dos outros países pesquisados.

Apesar de ter sido o primeiro da América do Sul a fechar fronteiras e a adotar quarentena rígida, o Peru não conseguiu conter a pandemia. Até agora, contabiliza 29.976 mortos numa população de 31,9 milhões.

Se a crise sanitária agora dá sinais de melhora, o FMI (Fundo Monetário Internacional) projeta um cenário sombrio na economia. Prevê queda de 14% no PIB, marca que seria a maior retração de um país da América Latina em 2020. Além disso, 6,7 milhões de postos de trabalho foram extintos, número que corresponde a cerca de 40% do mercado formal.

A informalidade da economia do país --72,6% do mercado são compostos por trabalhadores sem carteira assinada--, por sua vez, foi um dos motores da disseminação do vírus, já que muitos, sem condições de respeitar as medidas de restrição, foram obrigados a sair de casa para trabalhar.

Contribuiu para o aumento dos números a concentração populacional em grandes cidades, como Lima, Arequipa e Piura, onde a população mais pobre mora em condições precárias, propícias para a aglomeração, além da existência de uma massa de trabalhadores transitórios, que vivem durante a semana nos grandes centros e retornam para suas comunidades regularmente.

Embora o governo tenha proibido o funcionamento do transporte público, muitas dessas pessoas, sem trabalho, caminharam até as suas residências, transformando-se em vetores do vírus ao interior do país.

Por fim, epidemiologistas apontaram as compras de alimentos em mercados públicos, prática comum que move parte da economia regional, principalmente nas regiões andinas de tradição indígena, como bolhas de contágio. O governo fechou a maioria dos locais, mas o movimento continuou de forma clandestina.

 

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