A 1ª Vara da Fazenda Pública de Bauru acatou pedido da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) para o bloqueio de bens da sogra do ex-presidente da companhia Edison Bastos Gasparini Jr. A decisão é da juíza Ana Lúcia Graça Aiello, após solicitação da advogada da Cohab, Andrea Salcedo, na ação civil pública que já bloqueou os bens de Gasparini Jr., de sua mulher Isabel, da filha Mariana e do então diretor financeiro Paulo Sérgio Gobbi. O valor da ação é de R$ 116,4 milhões, referente a saques mensais realizados entre 2007 e 2019, com a atualização monetária.
A decisão na ação civil, publicada ontem pela Justiça, traz um novo elemento das investigações, apontando para a suspeita de uso de 'laranjas' nos bens de Gasparini Jr. O pedido feito pela atual direção da Cohab se baseia em investigações da Operação 'João de Barro', do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
O Gaeco já havia obtido o bloqueio de bens, em ação na 4ª Vara Criminal de Bauru, que corre em segredo de Justiça. Depois, com a ação civil pública, o valor do bloqueio do ex-presidente e seus familiares foi ampliado, ficando em favor da companhia, em maio deste ano.
OCULTAÇÃO
A decisão de ontem da 1ª Vara da Fazenda Pública ocorreu após a ação criminal conseguir o bloqueio de uma chácara em nome de Maria Luiza Giacometi Dias, que é mãe de Isabel e, portanto, sogra de Gasparini Jr. Nas investigações, o MP-SP já teria levantado a possibilidade de possível uso de outros 'laranjas' para ocultar dinheiro. O Gaeco segue com o processo de oitivas.
A 4ª Vara Criminal, na primeira decisão, avaliou que "a situação constitui indício veemente de que Maria Luiza Giacometi Dias pode estar colaborando para a ocultação do dinheiro que, por meio do comportamento criminoso relatado pelo Ministério Público, teria sido desviado dos cofres da Cohab".
Isto serviu de base para a decisão também da 1ª Vara da Fazenda Pública para a indisponibilidade do bem. "Nesse contexto, resta evidente a ligação entre os fatos articulados no processo criminal com os aqui expostos, razão pela qual o decreto de indisponibilidade do imóvel mencionado pela autora é medida que se impõe", diz a decisão da Justiça.
DEFESA
O JC procurou os advogados de Gasparini Jr., que defendem também os demais membros da família. "O sr. Edison Gasparini está prestando todos os esclarecimentos devidos à Justiça e colaborando com as investigações. As senhoras Isabel e Mariana são absolutamente inocentes e pessoas de reputação ilibada. O Ministério Público não foi capaz de apresentar nenhuma evidência de que foram beneficiadas por qualquer ato ilícito e comprovaremos isso no devido tempo", afirma a nota da defesa.