Geral

Quase todas as vacinações infantis no município não atingiram a meta

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

Em Bauru, apenas uma de todas as coberturas vacinais destinadas a crianças atingiu a meta estipulada para este ano. A Vigilância Epidemiológica acredita que a redução tenha sido um resultado direto da pandemia, além do movimento antivacina (leia mais abaixo). Contudo, o órgão não descarta um possível atraso no cadastro das doses já aplicadas na cidade no Sistema e-SUS, do Ministério da Saúde. De qualquer forma, a queda pode ser observada em todo o País e acende um alerta pelo risco da exposição infantil a outras doenças tão graves quanto à Covid-19.

Em todas as campanhas, o município aponta que o ideal é imunizar 95% do público-alvo, mas muitas delas ainda estão longe dessa meta. Por enquanto, a vacinação contra a febre amarela em crianças registra a menor taxa: 51,87%. Ezequiel Santos, diretor da Vigilância Epidemiológica de Bauru, explica que a aplicação dessa vacina costuma ser mais baixa, porque muitos pais têm medo das possíveis reações, como febre, dor de cabeça, dor no corpo, entre outras. Apesar disso, o Ministério da Saúde afirma que a vacina apresenta eficácia de 95% a 99%.

A segunda adesão mais preocupante é da varicela, cuja cobertura está em 78,08%, que imuniza contra a catapora. Essa doença pode ser fatal, caso evolua para uma encefalite - inflamação aguda no sistema nervoso central e do cérebro -, pneumonia ou infecções na pele e ouvido, segundo o Ministério da Saúde.

De todas as vacinações (veja no quadro ao lado), apenas a pentavalente ultrapassou o objetivo e já imunizou 110,91% do público-alvo, segundo a Vigilância Epidemiológica. Esta protege recém-nascidos contra a difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e da bactéria haemophilus influenza tipo b, responsável por infecções no nariz, meninge e na garganta.

FATOR PANDEMIA

Conforme conta Ezequiel Santos, no início da pandemia, o Ministério da Saúde pediu que as prefeituras incentivassem apenas as vacinas essenciais aos recém-nascidos, ainda na maternidade. "Após dois meses, eles autorizaram a retomada do incentivo geral. Porém, aqui em Bauru, interrompemos a vacinação somente nas unidades voltadas ao tratamento da Covid-19", explica.

Por outro lado, ainda segundo o diretor, pode ser que exista um atraso na contabilização das doses aplicadas que foram cadastradas no sistema de saúde. "As vacinas pentavalente, poliomielite e pneumocócica caminham juntas. Mas há uma diferença na cobertura delas, o que indica que pode haver uma demora na transferência de dados, e não uma baixa real da cobertura vacinal", analisa Santos, complementando que o órgão continuará monitorando a situação para definir o motivo da redução da imunização na cidade.

Comentários

Comentários