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Médico alerta para crescimento de queimaduras com discos de arado


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Nos últimos três anos, os chamados discos de arado se tornaram moda nas casas de quem gosta de cozinhar, em especial de fazer assados. São chapas parecidas com um tacho, consideradas práticas para assar e fritar todo tipo de carnes e legumes. O problema é que, geralmente, elas funcionam com queimadores a álcool e é neste item que mora um grande risco.

O médico cirurgião plástico Eudes Soares de Sá Nóbrega, que atua na equipe da Unidade de Tratamento de Queimaduras do Hospital Estadual (HE) de Bauru, conta que essa modalidade de queimadura tem crescido. "Só neste início de mês, recebemos dois pacientes que se queimaram da mesma forma, com relatos muito parecidos: a pessoa acha que o tacho apagou e vai repor o álcool, geralmente aquele álcool de posto de gasolina (superior a 90%), e, em segundos, as chamas causam danos em quem está por perto", alerta. "O disco arado é até interessante, mas esse queimador a álcool é um perigo e as pessoas precisam ficar muito atentas, até porque as chamas produzidas pelo álcool costumam ser transparentes".

FOGO E ÁLCOOL

Nos últimos dez anos, 53% dos pacientes internados na Unidade de Tratamento de Queimaduras do HE tiveram queimaduras decorrentes de incidentes com fogo. Desses registros de casos por fogo, 52% foram causados por álcool líquido ou em gel. Das internações de casos de queimaduras por álcool, 13% foram fatais.

"Em minhas observações clínicas, percebo que 80% das queimaduras por álcool deixam sequelas deformantes e cerca de 20% podem ser fatais", afirma Eudes.

'NÃO DEU TEMPO DE SAIR'

A operadora de telemarketing Yslamaira Milare Perin, 18 anos, passou por um grande susto recentemente. "Eu me sentei bem perto do tacho, sem perceber o perigo. Pensaram que estava apagado e foram repor o álcool. Nessa hora, a chama subiu e me atingiu rapidamente. Não deu tempo de sair", relembra a jovem, que teve queimaduras em cerca de 20% do corpo, incluindo a face, e já passou por dois enxertos desde que foi internada, no começo de agosto. "Começaram a jogar água em mim. Eu passava as mãos no cabelo e via que ele estava caindo. Foi um susto", conta. "A lição que fica é que devemos manter uma distância segura desses objetos", complementa.

O médico concorda com o socorro prestado à jovem. "Fizeram certo. Precisamos lembrar de um elemento importante nesses acidentes com queimadura: o fator tempo. É preciso agir rápido. Nesse caso, era preciso conter as chamas e fizeram isso".

O médico explica que, se tivesse uma piscina por perto, a jovem poderia ter mergulhado. Em queimaduras de partes do corpo, a água vai conter o agente causal sem danos. "Se fosse o corpo inteiro, a água poderia causar um choque térmico. Nesses casos de queimaduras de grandes extensões, o ideal é encobrir o corpo num cobertor ou até rolar no chão", acrescenta.

O especialista ressalta que o tratamento de queimaduras é longo e a reabilitação completa pode demorar até dois anos. "Por isso, a prevenção é o melhor caminho", destaca Eudes Nóbrega.

Outro objeto que, segundo ele, merece a atenção de participantes de encontros gastronômicos e festas é o réchaud, utensílio usado para manter os alimentos quentes, geralmente aquecido nas mesas com álcool em gel. Manter distância quando forem reabastecer o objeto com álcool é a recomendação médica.

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