Tribuna do Leitor

Reflexões em Tempo de Pandemia

Perla Samantha Celli
| Tempo de leitura: 3 min

Perfeita definição do tempo, por Henry Van Dyke: "O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam, mas para os que amam, o tempo é a eterno". E para os que pensam... o tempo pode ser enlouquecedor, com tantas perguntas sem respostas.

Venho questionando muito a sociedade, com suas hipocrisias e seus objetivos vazios. Com pessoas vivendo em torno das redes sociais e suas postagens, onde tudo parece vivenciado superficialmente. E reina absoluta, a mais antiga política social, "Pão e Circo". Tenho pensando em Deus e em seu silêncio frente a nossa realidade. Sinto o mundo abandonado. Quem já assistiu a série Supernatural (Sobrenatural), talvez como eu tenha pensado que o mundo parece a mercê do mal. Será que as portas do inferno foram abertas?

Nesta caminhada de pensamentos, já me questionei se não estamos no inferno, e nos cabe tentar a redenção para sair desse lugar tão obscuro, com tantas coisas e pessoas ruins, que nos atropelam diariamente. Vejo religiões pregando que o sofrimento de Jesus Cristo nos garantiu a salvação, sem contudo proclamar que cabe a cada um de nós fazer com que o sofrimento Dele, tenho sido válido. Parece que o ser humano se sente liberado para pecar, pois afinal, outro já sofreu por seus atos.

Notícias sobre violências e barbaridades são tão constantes que já fazem parte do nosso cotidiano. As mais recentes retratam o sofrimento inconcebível do cachorro Sansão, e o ápice do disparate humano, onde um morador de rua idoso recebeu uma marmita com arroz e ração de cachorro. As pessoas perderam sua humanidade, ou, talvez estejam apenas mostrando sua verdadeira face.

E, nossos exemplos políticos e religiosos, contribuem para que trilhemos o caminho do ter. Fortalecem em seus discursos, que os abençoados, os eleitos, os escolhidos são aqueles que tem posses. E os desprovidos, que não foram abençoados nem por Deus, são os deixados para trás, as "baixas" que fazem parte da luta e portanto não merecem respeito, ou, nossas lágrimas, merecendo no máximo, a nossa caridade.

Sempre me questionei os motivos de Deus escolher dar tanto para alguns e apenas miséria a tantos. Desde sempre a fome (na Etiópia, foco de campanhas na minha adolescência), e o sofrimento me causaram estranheza, tristeza e o questionamento sobre os mistérios de Deus. E me pergunto, como pessoas podem juntar tanto poder e dinheiro de forma lícita ou ilícita e se sentirem confortáveis para viver, enquanto tantos, não tem o suficiente para comer, e clamam por ajuda?

E ainda vejo pessoas prósperas dentro dos critérios vigentes, bradarem sua infelicidade ou insatisfação. Então, onde está a real felicidade? Talvez a salvação para o ser humano esteja em achar a resposta para a complexa reflexão de Erich Fromm: "Se eu sou o que tenho e perco o que tenho, quem eu sou, então?" E a partir da resposta se conectar aos valores que realmente iluminam a alma e completam o vazio de nossa existência.

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