Quando o alemão Sebastian Steudtner puxou Maya Gabeira para a onda, os dois sabiam do enorme potencial, mas não imaginavam que seria o novo recorde mundial de uma onda surfada por mulher: 22,4 metros (73,5 pés). "Ele está superfeliz com essa marca e precisa se sentir parte disso. Treino com ele há anos e é uma pessoa que acredita em mim. Muito mérito para ele", disse Maya, ainda eufórica por colocar seu nome mais uma vez no Guinness, o livro dos recordes.
A façanha ocorreu na praia do Norte, em Nazaré (Portugal), durante a disputa do Nazaré Tow Surfing Challenge, em 11 de fevereiro. O recorde foi homologado nesta semana e ela se juntou a Rodrigo Koxa, outro brasileiro, que detém a melhor marca masculina, com 24,38 metros (80 pés), obtida em 2017. A conquista de Maya chama ainda mais atenção porque foi no mesmo local, em 2013, que ela quase morreu afogada após cair de uma onda monstruosa De Portugal, onde vive, ela falou sobre a nova marca, o legado que deixa para as mulheres no esporte e sobre o feito de ter surfado a maior onda da temporada, mesmo em comparação com os homens.
Pergunta - Você está com 33 anos e já tinha decidido se arriscar menos nas ondas gigantes. Esse recorde chega num momento inusitado?
Maya - Para ser sincera, não era um plano. A gente teve o primeiro evento de tow-in esse ano e, quando anunciaram a competição, isso virou meu grande foco, por ser o primeiro evento profissional. E eu seria a primeira mulher fazendo dupla com homem, com o Sebastian. Fiquei focada e me preparei, pois queria chegar o mais próximo possível dele, que é um surfista de ondas grandes.
Pergunta - Como é a parceria com quem pilota o jet ski?
Maya - É ele quem escolhe a minha onda. O trabalho dele é tão essencial ou mais que o do surfista. Como estava em campeonato, a preferência era nossa para surfar, então não tinha muita gente disputando a onda.
Pergunta - Você ampliou sua marca de 20,7m para 22,4m. Dá para descrever essa quantidade de água vindo ?
Maya - O que mais lembro dessa onda é um barulho muito alto. Só pensei que ali não podia cair de jeito nenhum. Então, eu seguro a primeira explosão, fico na espuma, mas depois caio impulsionada para frente. Aí logo sou resgatada pelo Sebastian.
Pergunta - Como você vê o avanço da tecnologia para medir o tamanho das ondas?
Maya - Isso foi um pedido meu, já vinha batendo nessa tecla. Sabia que a onda da Justine (Dupont) era muito próxima da minha. Queria ter certeza e achava que o método de medição precisava evoluir. Saber o tamanho da onda é importante. Era uma mudança necessária e foi o momento certo para fazer. Contrataram o pessoal que fez a onda do Kelly Slater, junto com o Scripps e estudaram a melhor forma de calcular.