Brasília - O ministro da Economia, Paulo Guedes, ressaltou, na manhã desta segunda-feira (14), que todo o esforço de gastos que o governo tem feito para os próximos 10 anos está sendo gasto na pandemia do novo coronavírus.
Paulo Guedes citou a economia com a reforma da previdência, de R$ 800 bilhões em 10 anos, e a estimativa de R$ 300 bilhões para a reforma administrativa no mesmo período.
"É R$ 1,0 trilhão. Todo esforço que estávamos fazendo nos próximos 10 anos foi gasto de forma abrupta na pandemia." Guedes falou durante o evento online 'A visão municipalista sobre a reforma tributária', promovido pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
Paulo Guedes afirmou que a União pode quebrar se forem criados fundos, bancados pelo governo federal, para compensar Estados e Municípios por perdas de receitas geradas com a reforma tributária, em tramitação no Congresso Nacional.
Segundo o ministro, a União deve dividir recursos com Estados e Municípios, mas não pode oferecer garantia de arrecadação. Ele afirmou que seria um assalto às gerações futuras garantir repasses a estados e municípios, ampliando o endividamento do governo federal ao longo dos anos. "Tem havido muitas sugestões de fazermos um fundo de estabilização das receitas. Eu acho muito imprudente", disse.
PANDEMIA
Guedes destacou que foram gastos o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) com as medidas de enfrentamento da pandemia da Covid-19. O PIB é a soma de tudo o que é produzido no país. "Se anunciarmos que estamos criando fundos, bancados pela União, para garantir outros 8% do PIB, o Brasil terá dramáticos problemas de sustentabilidade fiscal. A União pode quebrar e vai faltar dinheiro para todo mundo porque vamos entrar em uma rota de implosão fiscal. Estamos fazendo todo nosso esforço a beira de um vulcão. Temos que ter muita responsabilidade fiscal", argumentou.
QUEM PAGA
O ministro também defendeu que os gastos gerados pela pandemia sejam pago pela atual geração, com recursos da exploração de petróleo e privatizações. "A União não pode vergar, sob o risco de quebrar, a pretexto de ajudarmos os contemporâneos. Isso seria uma covardia da nossa geração, uma falta de coragem de nós mesmos pagarmos essa luta contra o coronavírus. Se estamos tendo essa feroz luta pela saúde dos brasileiros e pela preservação dos nossos empregos, a nossa geração tem que enfrentar isso", disse.
De acordo com o ministro, com as medidas de enfrentamento da pandemia, o governo conseguiu proteger empregos, dar auxílio a brasileiros em situação de vulnerabilidade, e garantir recursos para a saúde. "Os hospitais hoje têm leitos. Nenhum brasileiro está perdendo a saúde por falta de leitos" disse. Mas ele reforçou que esses gastos foram para uma situação emergencial e que é preciso manter a responsabilidade fiscal.