Com tendência de queda, a taxa de retransmissão do novo coronavírus na região de Bauru chegou a 0,93 na última quinta-feira (17), o menor índice alcançado nos últimos 25 dias. A taxa, conhecida no meio científico pelo símbolo Rt, representa a média de indivíduos que cada morador contaminado pode infectar.
Ou seja, neste momento, cada 100 pessoas com Covid-19 têm potencial para transmitir a doença a outras 93. Apesar da tendência de queda - em 26 de agosto, o índice chegou a 1,04 - o Rt da região ainda segue muito próximo a 1, patamar considerado o limiar para definir quando a pandemia ainda está fora de controle.
"Acima de 1, a tendência é de que o número de infectados volte a aumentar em progressão geométrica. Se o Rt é 2, por exemplo, cada 100 pessoas infectadas teriam potencial para infectar outras 200, estas 200 poderiam infectar 400 e assim por diante", explica o professor Wallace Casaca, matemático que coordena o projeto SP Covid-19 Info Tracker.
TENDÊNCIA
A região local abrange, além de Bauru, os municípios de Botucatu, Lençóis Paulista e Jaú. Segundo as projeções da plataforma, a expectativa é de que o Rt destas cidades continue decrescendo, porém, a tendência pode ser alterada se houver mudanças, por exemplo, no comportamento da população em relação ao distanciamento social e ao uso de máscaras.
"Quando o Rt está abaixo de 1, a tendência é de diminuição da contaminação, mas o índice de 0,93 ainda é perigoso.
A pandemia não está plenamente sob controle e alguns fatores, como a reabertura de escolas, podem reverberar nos dados no prazo mínimo de oito dias", acrescenta Casaca.
Atualmente, a taxa de retransmissão da região é a sétima maior entre as 22 regiões consideradas pelo levantamento. A mais elevada é a de Marília, que segue em patamar crítico de 1,38. O coordenador do projeto SP Covid-19 Info Tracker explica que as taxas de retransmissão estão diretamente relacionadas aos casos ativos de Covid-19, ou seja, de pessoas que foram contaminadas e ainda podem transmitir o novo coronavírus.
PLATÔ
Conforme mostra a plataforma, o volume de casos foi aumentando de maneira acentuada até 31 de julho, quando a região contabilizava 3.353 casos ativos. Em 25 de agosto, alcançou o pico de 3.592 pessoas doentes e, em 17 de setembro, seguia com 3.487 infectados, o que sinaliza possível platô da curva epidemiológica.
"Desde o final de agosto até agora, o número de casos continua alto. Já o pico de óbitos, diferentemente, foi registrado entre o final de julho e início de agosto", analisa. Para se ter ideia, entre 92 cidades, o município de Bauru figura em 10.º lugar no ranking dos que registraram maior crescimento porcentual de casos nos últimos sete dias.
Casaca pondera, contudo, que Bauru é a sétima cidade entre as que tiveram maior aumento de testes de Covid-19 no período. Em 17 de setembro, o município totalizava 9.318 casos positivos, volume 9,23% maior do que o de sete dias atrás. Já o número de testes cresceu 11,18% em uma semana, totalizando mais de 46,5 mil pessoas examinadas.