Internacional

Madri entra em choque com governo central

FolhaPress
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Madri - Madri vive um dilema: vale a pena limitar a circulação das pessoas para reduzir o contágio pela Covid-19? Cada nível de governo tem uma resposta, o que gera uma crise política na Espanha e ameaça a aproximação entre a esquerda e a direita iniciada há poucos dias.

O país enfrenta uma nova alta nos casos da doença. O total de diagnósticos diários está acima de 10 mil, similar a março. Já as mortes diminuíram: foram 114 no balanço desta sexta (25), contra quase mil nos piores dias da crise.

A Espanha soma 31 mil mortes por Covid-19 e 716 mil casos, sendo que 400 mil deles ocorrem nos últimos dois meses. É, ainda, o país com mais diagnósticos da doença na Europa ocidental.

A região da capital é o epicentro da nova alta, registrada desde meados de agosto. Há vagas nas UTIs, mas a ocupação nos hospitais começa a preocupar. Em resposta, o governo local adotou restrições por zonas na cidade, com base no número de casos registrados.

Nesta sexta (25), mais oito áreas entraram na lista, totalizando 45, o que afeta cerca de 1 milhão de pessoas. A área metropolitana de Madri abriga 6,7 milhões de habitantes.

Os moradores das áreas sob restrição só podem deixar suas zonas para trabalhar, estudar, ir ao médico, ao banco ou ao tribunal. Parques e jardins foram fechados e os estabelecimentos precisam mandar os clientes embora até às 22h.

A eficácia da medida é questionada: as pessoas das áreas sob bloqueio podem sair diariamente para estudar e trabalhar em outras partes da capital, o que facilita a circulação do vírus. E se o bar fecha 22h, basta ir até outro bairro sem restrições para seguir a noite.

Em Vallecas, no sudeste de Madri, um protesto contra as medidas de contenção terminou em confronto com policiais em uma praça na quinta (24). Três pessoas foram presas.

Nesta sexta (25), o governo federal subiu o tom. O ministro da Saúde, Salvador Illa, disse em entrevista coletiva que o governo recomendou ao comando de Madri que adotasse restrições em toda a capital (onde vivem 3 milhões) e nas zonas com mais contágios, além de proibir o consumo em balcões de bares e lanchonetes, mas foi ignorado.

"É preciso fazer isso. Atalhos não valem", alertou o ministro, que marcou a coletiva para o mesmo horário em que o governo local anunciava novas medidas.

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