Cultura

Máscaras, descartáveis e 'saideira' cedo: o retorno das casas noturnas

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Se antes a vida noturna começava a esquentar depois das 21h e a saideira passava das 3h, hoje, a noite bauruense está bem mais contida. Apesar do retorno de alguns estabelecimentos, desinfetantes, máscaras e álcool em gel agora fazem parte do "rolê". Com essas e outras diversas alterações, proprietários de alguns bares e casas noturnas de Bauru falaram com o JC Cultura sobre como têm sido a retomada.

Seguindo os protocolos pautados pelo Plano São Paulo, uma das principais mudanças foi em relação à capacidade de público, reduzida a 60%, em um primeiro momento, e posteriormente fixada em 40%. "Trabalho com reservas de mesas para poder organizar o local, com distanciamento correto. Com essa porcentagem, consigo receber no máximo 42 pessoas sexta, sábado e domingo e 22 nas quartas e quintas. O público vem aceitando muito bem e lotando a capacidade da casa aos finais de semana", afirma o proprietário do James Joyce Irish Pub, em Bauru, Fernando Gimenes.

Também atuando com capacidade reduzida, neste caso com no máximo 160 pessoas, o Buteco do Rastro voltou a funcionar de uma forma bem diferente da conhecida pista de dança lotada ao som do sertanejo. "Colocamos as mesas espaçadas para no máximo quatro pessoas, no local onde era utilizado para o público dançar. Ainda assim, alguns clientes questionam e querem dançar de máscara, o que não é permitido", conta André Brumati, proprietário da casa noturna. "Fizemos alterações, como o uso de descartáveis também", completa.

Além disso, ele ainda comenta sobre a grande procura que o local vem recebendo, tendo até notado uma nova clientela por ser uma da poucas opções da cidade. "Já conversei com donos de outros bares e sei que a situação é essa. Muitas vezes, temos que pedir para que as pessoas voltem outro dia com reserva prévia e não conseguimos recebê-las para não exceder o limite", afirma.

Já no Voodoo Lounge Pub, localizado na região mais central da cidade, as restrições de horário têm sido o maior desafio, até o momento. "O bar já não aguentaria mais ficar fechado sem decretar falência, mas, se eu pudesse, ainda não teria reaberto por precaução", afirma David Calleja, dono do local. "Estamos abrindo bem mais cedo do que era o costume e fechando ainda mais. Fechávamos depois das 3h, mas, nesse cenário, passo a saideira por volta das 22h30", afirma.

MAIS CURTO

Todos os locais entrevistados comentaram sobre os impactos da restrição de horário em seus empreendimentos. "Muitos não sabem que a casa fecha às 23h e chega às 22h no bar. Horário que antes era tranquilo para começar a noite", diz Fernando, do James Joyce. David, do Voodoo, ainda completa que, por ter um ambiente pequeno, têm recebido ainda menos pessoas do que a capacidade de 40% permite. "Atendemos cerca de 30 pessoas apenas, todas sentadas nas mesas, bem diferente do que era antes. Tivemos de nos adaptar em tudo. Assim que chegam, os clientes são orientados a utilizar máscaras, a não irem ao balcão e não consumir nada em pé", destaca o proprietário do Voodoo que acrescenta sobre o horário de funcionamento. "Como as pessoas chegam mais tarde e fechamos cedo, fica difícil manter o bar com, praticamente, duas horas de expediente", conta.

Ainda que com muito álcool em gel, restrições e horário limitado, os entrevistados garantem que grande parte do público tem respeitados as normas e voltado a se divertir em segurança. "Estão gostando de ter a oportunidade de sair de casa, tomar um drink e estar, ainda que por pouco tempo, na companhia dos amigos", finaliza David, do Voodoo.

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