Tribuna do Leitor

Carta Aberta ao prefeito, aos secretários municipais e aos vereadores de Bauru

Integrantes do Grupo Professores Bauru e Região
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Somos professores das escolas privadas e nossa vida está em jogo! Este texto expõe um posicionamento contrário à volta às aulas enquanto não houver vacina para todos ou convergência de opiniões entre especialistas e cientistas da área.

Os professores, em média, recebem 5x menos que profissionais que possuem mesma titulação de formação. Já somos penalizados com baixos salários, trabalhamos em situações muitas vezes degradantes e que não permitem condições mínimas de acesso à cultura, lazer, moradia e saúde (física e mental). Permitir a volta às aulas, neste momento, seja em âmbito público ou particular, é afirmar que o governo municipal corrobora com a degradação e com a precarização de nossa profissão e dos acessos amplos à cidadania do professor e de seus entes.

Todos queremos e precisamos trabalhar! Sentimos muita falta dos alunos, do contato "olho no olho" e do "chão" da sala de aula. Batalhamos diariamente pela manutenção do nosso emprego, vimos nosso trabalho aumentar absurdamente nesse contexto remoto, e nos mantemos firmes, pois somos pais e mães de família. Assim como todos os bauruenses, desejamos que tudo possa se acertar o mais breve possível, mas queremos que isso seja feito de maneira responsável e com segurança, valorizando nossa vida e preservando nossos familiares.

Sabemos que as crianças são afetadas pela doença em um grau mais leve que os adultos, mas funcionam como grandes vetores de disseminação da doença, principalmente por serem assintomáticas em muitos casos. Embora seja de conhecimento público, é sempre importante ressaltar isso para que se entenda a gravidade da imprudência cometida pelo governo bauruense.

Além disso, o momento que enfrentamos é muito delicado, pois estamos com aumento da contaminação e níveis de transmissão na cidade de Bauru nunca vistos desde o início da pandemia. Ressaltamos, ainda, que não há segurança na grande maioria das escolas, nem vacina, nem distanciamento social. A grande verdade é que muitas escolas particulares não possuem sequer comitê de crise e enfrentamento sanitário. Dessa maneira, duvidamos que o cumprimento dos protocolos de biossegurança definidos pelas autoridades/poder público seja realizado de modo seguro.

Diante de toda a situação e conjuntura, somos completamente contrários à abertura das escolas privadas para retorno presencial e não queremos que os professores sejam obrigados a se deslocar até as unidades escolares para realizar suas atividades e não autorizamos o uso de nossa categoria como forma de pressionar o poder público em suas decisões.

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