Nem começou o período eleitoral e já começou o show de demagogias. A hipocrisia das pessoas chocadas com a conduta de um ex-pré-candidato me reportaram ao meu mundo de questionamentos. Onde será que vivemos? Na terra do faz de conta?
Inúmeros pactos estão sendo feitos, coligações se formam nos espaços da cidade, ah... se a feira do centro de domingo pudesse falar...
A única coisa diferente nessa situação é que parece que o indivíduo em questão ainda não tem "prática" nas questões "políticas", e foi tão inocente em sua abordagem. Pessoas trocando de lado, em busca de melhores oportunidades, ideologias partidárias e políticas são conceitos que não se aplicam. Em todas as esferas de poder, os servidores públicos sempre são alvo de pressão, e sabem que não concordar com a diretriz política vigente pode acarretar transferência ou exoneração.
Se lembram do que aconteceu na esfera federal recentemente?
Para quem ainda não sabe, cargo comissionado é cargo de confiança, o qual não envolve nenhum pré-requisito de competência técnica, assim, qualquer gestor público tem a prerrogativa de nomear em quem confia, seus aliados, ou seja, não devia causar nenhuma estranheza que a próxima gestão traga as pessoas que contribuíram em sua campanha. E é fato que as alianças são forjadas por todo tipo de promessas no período pré-eleitoral.
E, para finalizar, ainda temos as coligações. Quem lê o jornal já deve ter visto inúmeras vezes que a indicação de tal Secretaria pertence a tal vereador, então, acho que é hora de "ler nas entrelinhas", para evitar as manipulações pré-eleitorais. Neste momento, cabe a cada cidadão avaliar todos os candidatos. Refletir sobre as propostas, estudar suas viabilidades, se posicionar sobre os fakes eleitorais, e não escolher por seus interesses pessoais.
O gestor público competente é o que apesar dos compromissos de campanha, tem ética de priorizar o bem coletivo, é o que apesar das alianças e indicações, ouve a denuncia do cidadão e dos servidores independente de questões políticas, é o que apura irregularidades, e exonera qualquer aliado ou indicado político que não atenda as necessidades e interesses da coletividade.
E fica a dica. Cargos são concedidos por confiança, isso é fato. O que podemos e devemos exigir é que os ocupantes dos mesmos desenvolvam suas atividades com competência e sem coação, e que os gestores usem de critérios técnicos e não pessoais para garantir o melhor desenvolvimento da cidade. Servidor público é pago para ser competente, eficiente e eficaz e contribuir com a gestão da cidade e não para ser "simpático" com suas chefias. Nossas escolhas de hoje, refletirão nos próximos 04 anos. Que será um tempo atípico, após a crise de 2020. Então, escolham com carinho e atenção. O crescimento e fortalecimento de Bauru dependem de todos nós.