Berlim - O governo alemão anunciou nesta terça-feira (29) que vai passar a limitar o tamanho de eventos públicos e privados nas regiões do país que registrem alta no número de casos de coronavírus.
Segundo a chanceler Angela Merkel, a medida foi tomada para tentar evitar a imposição de um lockdown em toda a Alemanha.
"Nós decidimos agir regionalmente, de uma maneira específica e objetiva, em vez de fechar todo o país novamente ?o que deve ser evitado a todo custo", disse ela ao anunciar as novas regras.
A partir de agora, estados que registrarem mais de 35 casos por 100.000 habitantes durante uma semana terão uma limitação de 50 pessoas para eventos públicos e 25 para eventos privados.
Em estados que tiverem mais de 50 casos por 100.000, a restrição será mais dura: 25 pessoas para eventos públicos e 10 para os privados. O governo ainda não anunciou se algum estado já se enquadra nas novas regras.
Até o momento, a Alemanha registrou 290.334 casos de Covid-19, com 9.483 mortes.
MUNDO
Quando os aviões foram recolhidos para os hangares e os aeroportos fecharam, já era tarde para interromper a trajetória que levou a 1 milhão de mortos por Covid-19, número anunciado esta semana.
Nas três semanas que separam 31 de dezembro de 2019, quando o governo chinês comunicou ao mundo a descoberta de uma nova doença, e 23 de janeiro, quando o tráfego aéreo entre Hubei, epicentro da pandemia à época, e o resto da China foi bloqueado, 7 milhões de pessoas --o equivalente à população de toda a cidade do Rio-- haviam deixado a capital da região, Wuhan, para o feriado de Ano-Novo, segundo dados de celulares.
Nesse período, Pequim, Xangai e outras grandes cidades chinesas registraram surtos de algo que ainda nem tinha nome --falava-se em pneumonia de causa desconhecida.
Os 104 casos notificados até o começo do ano já haviam se multiplicado por seis, considerando apenas os números oficiais. Para além deles, uma rede invisível de contágio atingira ao menos mil pessoas, nos cálculos de universidades americanas, como a Johns Hopkins e a de Washington.
Quase 20 mortes tinham sido atribuídas ao coronavírus, a esta altura já mapeado geneticamente, mas ainda não batizado. Para os cientistas, ele era o nCoV. Em mais dez dias, 7.700 haviam sido infectados, e 170, morrido na China. Só então se anunciou que a doença se transmitia de um ser humano para o outro --pior que isso: cada infectado contagiava de duas a três outras pessoas.
FUTURO
Pesquisadores já têm clareza sobre como controlar a pandemia: testar, isolar e tratar os infectados, rastrear os contatos e colocá-los em quarentena, evitar eventos com muita gente em locais fechados e proteger os mais vulneráveis (idosos e doentes crônicos).
A principal pergunta agora é outra, disse o diretor-executivo da OMS, Michael Ryan: "Estamos preparados para evitar mais 1 milhão de mortes?". Caso a resposta seja negativa, afirmou o diretor, "não é inimaginável que cheguemos aos 2 milhões de mortos". Mais que imaginável, segundo ele, "sem a cooperação de todos, é provável".