"Você tem sede de quê? A gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte. A gente quer prazer pra aliviar a dor. [...] A gente quer inteiro e não pela metade". O sentimento no sucesso do Titãs é a tônica em alguns bairros de Bauru, onde moradores se queixam da falta de opções de lazer.
O JC conversou com munícipes do Bauru 16 e Nova Esperança, região que vem crescendo de forma muito acelerada, talvez desproporcional, devido ao número de novos habitantes dos condomínios do "Programa Minha Casa Minha Vida". O desafio é promover mais locais que atendam a esse volume de gente. Percorrendo a cidade é possível notar a disputa travada entre vandalismo e a demora na manutenção. É o que sentem Aline e Jonatas Andrade, irmãos que moram na região desde a infância.
"Faltam opções de lazer. Estes bairros cresceram muito, em população. A criançada hoje não tem muitos lugares de brincar, por isso optam pela rua. Aqui na Segundo Sargento José Mendes Leal havia um campinho muito utilizado. Hoje, para jogar futebol, é preciso se deslocar para bairros afastados ou pagar por aluguel de quadras", comenta Jonatas, 32 anos, pastor de igreja local.
Aline acrescenta que os parquinhos, assim como os aparelhos de exercícios, foram vandalizados e danificados e não há conserto. "Batemos na tecla de que é necessário ter uma área de lazer segura. E do jeito que está aqui, quebrado e enferrujado, crianças podem se machucar. E com este calor, o ideal seria utilizar estes espaços à noite, mas como não há iluminação, não tem como usar", disse a dona de casa, de 39 anos.
A Semel informa que Bauru possui 53 academias ao ar livre e 12 campos de terra. A pasta não informou a quantidade exata de parquinhos, porque a manutenção foi passada recentemente da Semma para a Semel e Secretaria está fazendo levantamento de tudo.
Há um ano e meio, a prefeitura anunciou que investiu R$ 46.800,00 nas instalações de brinquedos em praças e áreas verdes, no Jardim Vânia Maria, Núcleo Joaquim Guilherme, na Vila Industrial, Parque Santa Cândida, Alto Alegre e Jardim Nicéia, além de prometer parquinho no Jardim Manchester, Núcleo Geisel e Jardim Tangarás. O JC esteve em um dos locais onde houve promessa, na quadra 1 da rua Anthero Donini, Geisel, mas não existe nada além de mato e terra.
No Jd. Nicéia, o morador Fernando de Abreu também defende mais opções de lazer, mas destaca que o parquinho, que estava danificado, recebeu conserto anteontem. Porém, a academia ao lado tem aparelhos quebrados.
LAGOA: LAZER E PERIGO
A falta de opção na região do Mary Dota faz a população recorrer à lagoa da Quinta da Bela Olinda para se refrescar do calor que já atingiu 40 graus. O risco de afogamento é grande. Não há estatísticas precisas, mas há quem estime que cerca de uma centena de pessoas perderam a vida na lagoa ao longo das últimas décadas. Há muitos anos, lideranças políticas da cidade anunciam propostas, mas não sai do papel. Com Gazzetta não foi diferente. O prefeito disse ao JC, em 2019, de um plano de revitalização da lagoa, mas isso não ocorreu.