O trabalho da polícia na área do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 4 (Deinter-4), com sede em Bauru, que abrange 76 cidades de seis delegacias seccionais - além de Bauru, Marília, Ourinhos, Tupã, Lins e Jaú - resultou na apreensão de 30,2 toneladas de drogas entre janeiro e agosto deste ano. A quantidade, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), é 162,61% maior do que a recolhida nos oito primeiros meses de 2019 (11,5 t) e representa o maior total contabilizado desde 2001, ano a partir do qual a pasta disponibiliza os dados criminais pela Internet. Nesta sexta-feira (2), uma apreensão grande foi registrada em Guarantã (leia mais na página 14).
O montante de drogas refere-se a apreensões feitas pelas Polícias Civil, Militar e Rodoviária, registradas nas delegacias que integra, o Deinter-4. Não estão incluídos na contagem entorpecentes apresentados nas Delegacias da Polícia Federal da região. Ocorrências de tráfico na região de Botucatu não fazem parte desta estatística pelo fato da cidade pertencer a outro Deinter.
De acordo com o delegado Ricardo Martines, diretor do Deinter-4, a maior parte das drogas retiradas de circulação neste ano foi interceptada nas rodovias, pela Polícia Militar Rodoviária. A maconha lidera o ranking, com 28,9 toneladas apreendidas de janeiro a agosto deste ano contra 11,1 toneladas no mesmo período do ano passado. Na sequência, aparecem a cocaína, crack e outros tipos de drogas.
"Nós teríamos que esperar o ano que vem, passar a pandemia, para saber se houve alguma influência no aumento do consumo", afirma o delegado. "Mas eu atribuo esse crescimento nas apreensões, primeiro, ao aumento na fiscalização, principalmente nas estradas". Ele ressalta que esse entorpecente interceptado nas rodovias está "de passagem" pela região e, em geral, tem como destino os grandes centros.
Apesar de considerar de extrema importância a retirada de circulação dessa droga para o enfraquecimento das organizações criminosas, Martines explica que este tipo de tráfico não é o foco da Polícia Civil. "Nós trabalhamos com foco na droga que vai impactar a segurança pública na área do Deinter-4", diz. "Eu oriento os policiais nas seccionais para que nosso foco de investigação seja a apreensão de grandes quantidades, mas que estão armazenadas nos municípios para abastecer o município ou uma região".
Essas ocorrências de "tráfico caseiro", segundo ele, também tiveram um crescimento considerável nos oito primeiros meses deste ano na região. "Nós temos intensificado o trabalho. Aqui em Bauru, com a instalação da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais), estamos dando outra dinâmica de trabalho para a antiga Dise, inclusive com o aumento de efetivo policial. E nas outras especializadas também porque as outras seccionais continuam com as delegacias de investigações sobre entorpecentes".
DROGAS NAS RODOVIAS
Se forem contabilizadas somente as drogas apreendidas pela Polícia Rodoviária na área do 2º Batalhão de Polícia Rodoviária (2.º BPRv), com sede em Bauru, a quantidade supera o montante recolhido no Deinter-4. Essa diferença ocorre, segundo o chefe da comunicação social do Comando de Policiamento Rodoviário do Estado, capitão Fernando de Souza, porque algumas ocorrências atendidas pela corporação são conduzidas à Polícia Federal. Além disso, o total de cidades atendidas pelo Batalhão (185) é maior do que o do Deinter.
De acordo com o capitão, de janeiro a setembro deste ano, 46 toneladas de entorpecentes foram retiradas de circulação nas estradas da área do 2.º BPRv, aumento de 8,93% em relação ao mesmo período de 2019, quando o total foi de 42,3 toneladas. Parte desse crescimento, na opinião dele, se deve à elevada produção de droga neste ano por países vizinhos. Mudança observada pela corporação no "modus operandi" das organizações criminosas também pode ter contribuído para elevar as estatísticas.
"Os traficantes têm trazido em cargas únicas quantidades maiores. Nos anos anteriores, tínhamos inúmeras apreensões, só que pequenas, em número menor. Este ano nós tivemos apreensões significativas, de oito, nove, cinco toneladas", observa o chefe da comunicação social. "Os traficantes estão se unindo e fazendo uma espécie de 'consórcio' para trazer uma carga maior. A logística para trazer 500 quilos e cinco toneladas é muito parecida, com o veículo, os batedores".
A pandemia, que resultou na redução da circulação de veículos, também é citada por ele como um dos fatores que levou ao aumento nas apreensões. "O policial fica com o olhar mais direcionado (para situações suspeitas) com menos veículos trafegando", declara. Um dos maiores flagrantes de tráfico feitos neste ano pela Rodoviária na região ocorreu em Garça, em fevereiro, quando carga de 1,6 tonelada de maconha foi interceptada no km 425 da Comandante João Ribeiro de Barros.