Geral

'Chovem' queixas de falta d'água e DAE vê racionamento iminente

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 3 min

Moradores já vivem na pele um racionamento de água não oficial de ao menos três dias. "Chovem" reclamações! Há muito tempo o JC não recebia um volume tão grande de queixas sobre o mesmo problema em um único dia. E elas vêm dos quatro cantos da cidade. Agravam a situação as temperaturas altas, a longa estiagem e o desperdício. O presidente do DAE, Eliseu Areco Neto, diz ao JC que houve um rodízio satisfatório nas duas últimas semanas, mas a situação piorou, pelo calor, consumo e a seca. Segundo ele, existe um risco de racionamento oficial caso não chova em até quatro dias.

"Chegamos a um nível de 1,27 metro no Batalha e precisamos parar uma das bombas. A lagoa de captação não consegue ter vazão e não capta água se baixar para 1,20m. O DAE sinaliza a situação emergencial, mas quem declara se haverá racionamento é o prefeito", comenta Areco Neto. 

O nível considerado ideal da lagoa de captação do Batalha é de 3,16m e o registro ontem a tarde subiu um pouco, para 1,74m, com apenas uma das quatro bombas funcionando.

FILAS

A tradicional bica de água na rua Henrique Savi, entre o parque Vitória Régia e o Centrinho, formou filas o dia todo. Munícipes levaram vários garrafões. Um deles foi o arquiteto Giuliano Mastrelli, sem água desde sexta-feira na quadra 11 da rua Manoel Pereira Rolla, Vila Nova Cidade Universitária.

"São duas semanas com cortes de água. O rodízio não está funcionando. Era pra ficar um dia com água e um sem, mas a água está chegando durante uma hora, na madrugada, depois eles (DAE) desligam. Já faz mais de uma semana isso", comenta.

3.ª IDADE

O advogado Daniel Damasceno, da associação das casas de repouso de Bauru, comenta que são 49 unidades na cidade e quase a totalidade delas sem água para a higienização mínima adequada para os idosos. "A vigilância faz visitadas semanais. Como vamos manter o padrão rígido de limpeza se não tem água? Difícil. Já tentamos caminhão-pipa, mas não conseguimos. Ninguém atende", reclama.

O mantenedor de uma dessas clínicas geriátricas, nos Altos da Cidade, acrescenta que água para os idosos é ainda mais essencial, porque eles precisam de muita hidratação e limpeza constante.

MAIS BAIRROS

A lista de reclamações é extensa. André Lockman diz que desde sexta não tem água no Centro. Renata Santos cita que está sem abastecimento há três dias na Vila Dutra. José Donizete dos Santos reclama de quatro dias com torneiras secas no Sabiá. Diversos moradores do Vale do Igapó, Mary Dota e Bela Vista também reclamam de desabastecimento. 

Na Vila Industrial, apesar de residir perto de um reservatório do DAE, Jaime Ferreira, eletricitário, precisou ir até Agudos adquirir um galão de 270 litros para poder estocar água e usar para lavar louça, descarga, regar plantas e abastecer os pets.

"Minha casa tem um sobrado e a água, quando vem, não chega lá em cima. Estamos sem abastecimento desde sexta. Precisamos de perfuração de poço aqui para os moradores serem atendidos", comenta.

DESPERDÍCIO

O DAE enviou ao JC um flagrante de desperdício de água com lavagem de calçada no domingo. O episódio ocorreu com uma mulher na rua Aviador Gomes Ribeiro, Jardim Panorama. Ela foi notificada pela autarquia.

SOLUÇÃO

Na sessão de ontem na Câmara, vereadores decidiram pedir informações sobre a verba de R$ 12 milhões que foi autorizada para uso do DAE, no ano passado, para abastecimento. Uma reunião ocorrerá hoje.

Eliseu Areco Neto esclarece que vem formatando processo interno para contratação temporária de caminhões-pipa e que esbarra em fornecedores. "Procuramos várias empresas e apenas duas sinalizaram que poderiam atender requisitos do processo de contratação emergencial, mas depois declinaram", destaca. Hoje o DAE conta com sete veículos.

SERVIÇO

Para solicitar caminhão-pipa ligue: 0800 77 10 195 ou (14) 3235-6140 (celulares).

 

Comentários

Comentários