Nova York - De um lado, o atual vice-presidente dos EUA, o republicano Mike Pence. Do outro, a senadora Kamala Harris, candidata a vice na chapa do democrata Joe Biden. Entre eles, uma barreira de acrílico.
O intruso no palco do debate entre os concorrentes a vice, nesta quarta-feira (7), lembra qual será o principal assunto do evento: o infectado Donald Trump, que levou para dentro da Casa Branca o vírus que minimiza há meses, como se a Covid-19 não tivesse matado mais de 210 mil pessoas no país.
Ainda que os exames de coronavírus de Kamala e de Pence tenham dado resultados negativos, a democrata exigiu que uma proteção fosse instalada entre eles, já que, além de Trump, ao menos outras 11 pessoas da cúpula da Casa Branca e da campanha republicana foram contaminadas pela Covid-19.
Pence e Kamala ficarão posicionados a quase 4 metros de distância, e todos os participantes do debate, incluindo jornalistas, deverão fazer o teste de detecção do coronavírus. A comissão que organiza o evento afirmou ainda que o uso de máscaras será obrigatório, regra que também foi imposta para o encontro entre Trump e Biden em Cleveland, mas que familiares do republicano não respeitaram.
PROTAGONISTA
Em geral, debates entre concorrentes a vice são um evento secundário, visto por poucos espectadores e quase irrelevante para mexer com os eleitores. O encontro na Universidade de Utah, em Salt Lake City, porém, oferecerá um embate entre o vice de um presidente cuja situação de saúde não é completamente conhecida e a companheira de chapa de um candidato que terá 78 anos num eventual início de governo.
TRUMP
O presidente dos EUA, Donald Trump, usou suas redes sociais para afirmar que pretende participar do próximo debate presidencial, dia 15. No Twitter, o republicano escreveu que "muitas pessoas, todos os anos, às vezes mais de 100 mil, morrem por causa da gripe". Em seguida, questionou: "Vamos fechar nosso país?".
A declaração, que não encontra base na realidade, levou a rede social a colocar um alerta de "informação potencialmente enganosa" na mensagem -não foi a primeira vez durante este ciclo eleitoral. Mais cedo, o Facebook havia removido uma publicação similar de Trump, de acordo com a CNN.
BIDEN
Uma pesquisa eleitoral realizada a pedido da rede de notícias CNN, produzida entre os dias 1º e 4 de outubro, apontou aumento no apoio a Joe Biden: ele passou a ter 57% das intenções de voto na corrida presidencial americana, contra 41% de Donald Trump. O levantamento ouviu 1.205 pessoas, por telefone. A margem de erro é de 3,5%.
O site FiveThirtyEight, que analisa dados de várias pesquisas eleitorais, avalia que Biden tem 82 chances em 100 de ser eleito presidente em novembro. Trata-se do maior índice registrado pelo democrata desde o começo da disputa. No Brasil o debate de hoje será transmitido pela CNN às 22h.