Tribuna do Leitor

Papel queima. Ideias, jamais

Matheus Terra
| Tempo de leitura: 1 min

Circulam na internet vídeos de pessoas queimando livros como "O Alquimista" e "Veronika Decide Morrer", de Paulo Coelho, em reação ao posicionamento político do autor, contrário ao presidente Jair Bolsonaro. O autor é escritor, letrista e jornalista e ocupa a cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras, além de ser o autor brasileiro mais lido em todo o mundo, tendo "O Alquimista" já vendido mais de 65 milhões de cópias e sido traduzido em 56 idiomas.

Essas demonstrações autoritárias - por menores que sejam os grupos que as praticam -, apresentam um iminente perigo para a democracia brasileira e nos remontam a tempos em que a queima de livros era sinônimo de trevas, como destruição das bibliotecas de Alexandria e as práticas do nacional-socialismo. Tais manifestações tiranas são atos explicitamente antidemocráticos e contra a liberdade de expressão e, mesmo em pequena escala, removem o fino véu que cobre o rosto daqueles que, grosso modo, não toleram opiniões políticas contrárias e assinalam a incompreensão de alguns brasileiros e sua grande dificuldade em reconhecer e respeitar, seja pela falta de vontade ou habilidade, as diferentes crenças e opiniões.

É quase diariamente que nos deparamos com exemplos de intolerância, tanto política quanto religiosa ou social. O fato é que não precisamos nos render sobre tais ameaças, sobretudo quando temos em mente que o que vem do ódio não pode jamais ser defendido com argumentos. A queima de livros é algo inerentemente histórico. Entretanto, autores censurados e seus seguidores não se deixaram suprimir pela ignorância de alguns e seus legados continuam até hoje inseridos em nossa sociedade.

Papel queima. Ideias, jamais.

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