Internacional

Trump é liberado para eventos

FolhaPress
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Washington - O médico que acompanha o presidente Donald Trump no tratamento da Covid-19 tem chamado a atenção da comunidade médica internacional pelas derrapadas éticas que vem cometendo. A polêmica mais recente é o fato de Sean Conley ter liberado Trump para retomar atividades de campanha neste sábado (10), quando completaria dez dias do diagnóstico de coronavírus do republicano.

O norte-americano deve receber convidados na Casa Branca e, nesta segunda (12), realizar comício no estado da Flórida. Para Conley, o presidente respondeu "extremamente bem" ao tratamento e há segurança no retorno. Ninguém diz, porém, se Trump teve resultado negativo em novos testes para detectar o vírus.

Ainda não se sabe ao certo por quanto tempo uma pessoa infectada pelo coronavírus pode transmitir a doença, mas estudos mostraram que o contágio pode ocorrer por até três semanas. Ao menos 20 pessoas do entorno presidencial já foram infectadas.

Segundo Claudio Cohen, professor de bioética da Faculdade de Medicina da USP, há exceção crucial à obrigação do médico de proteger a privacidade do paciente: quando esse paciente é ameaça para os outros. Seria o caso de Trump nesse momento. No entanto, Conley só poderá ser responsabilizado por negligência, por exemplo, se houver confirmação de que o presidente infectou alguém de fato.

No último domingo, Conley também foi criticado por não condenar decisão de Trump de interromper a quarentena e passear de carro com agentes para acenar a apoiadores.

Segundo Cohen, o médico também tem o dever moral de não mentir. Em uma entrevista coletiva no último sábado (3), Conley disse que Trump não estava recebendo, naquele momento, oxigênio suplementar. No domingo, porém, afirmou que o presidente havia, sim, recebido oxigênio em duas ocasiões desde o diagnóstico da doença.

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