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O poeta da hemodiálise


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A Hemodiálise do Hospital de Base (HB) de Bauru foi um dos cenários de inspiração para o aposentado Mário Ferreira da Silva, de 72 anos, escrever poemas e reuni-los no livro "A vida em pensamentos", lançado em setembro de 2020, sem editora.

Mário vem de Agudos para Bauru fazer as sessões de hemodiálise três vezes por semana e, enquanto espera o procedimento, que dura três horas e meia, ele lê e escreve. "Nos últimos sete anos, li, no mínimo, 200 livros. Os romances são meu estilo preferido e o que eu mais gostei foi 'Se houver amanhã', de Sidney Sheldon", revela. Mas ele gosta também da escritora policial inglesa Agatha Christie e do médico psiquiatra e escritor brasileiro Augusto Cury.

A fala calma e envolvente combina com o jeito de seo Mário, uma pessoa carismática, simpática e de bom humor. Por ser muito observador, os poemas dele valorizam o cotidiano das pessoas, retratam as ações simples do nosso dia a dia e revelam sua própria história. Nas últimas páginas, percebe-se que ele homenageia o sertanejo, um dos símbolos de sua terra natal, Pernambuco. O escritor veio para São Paulo quando tinha três anos de idade.

Outro fato intrigante é que Mário era analfabeto até os 14 anos; depois, ele começou a trabalhar em um escritório em Agudos e foi chamado para exercer cargos na área administrativa de grandes empresas na Capital Paulista. Ele também trabalhou em um dos maiores seminários da América Latina, o Santo Antônio, em Agudos, e ainda foi subprefeito do Distrito de Domélia.

AUTENTICIDADE

Com os nomes semelhantes, o 'nosso' Mário escreve com autenticidade, escolhe bem as palavras ritmadas e interage com o leitor - critério este que se assemelha ao modo de escrita de Mário Quintana, que conversava com o seu público sobre a transitoriedade do tempo, a experiência das coisas vividas e aquilo que realmente importa. Mas, ele também tem um perfil do cronista brasileiro Nelson Rodrigues, ao retratar a realidade brasileira: as mazelas sociais, o funk e a sexualidade feminina.

As sessões de hemodiálise permitiram que ele também pudesse ampliar seu olhar de escritor-paciente, onde criou laços de afetividade e amizade com os demais pacientes e com os funcionários. Mário acredita firmemente que o processo de cura começa com o calor humano, com o relacionamento entre as pessoas, em uma atitude de respeito e confiança.

 

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