A Seleção Brasileira enfrenta o Peru, nesta terça, às 21h (de Brasília), em Lima, pelas Eliminatórias Sul-Americanas, dentro de um esquema preparado pela CBF que lembra uma "bolha". Atenta os riscos de contaminação do coronavírus, e seguindo o protocolo sanitário definido pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), a delegação permanecerá por pouco mais de 30 horas no país.
A operação, inédita, além de cumprir as recomendações da Conmebol, se dá pela preocupante situação da pandemia no Peru. O país que receberá o jogo da seleção é, afinal, o que atualmente tem a maior taxa de óbito no mundo, com 1.002 casos por milhão de habitantes, segundo aponta a organização Worldometers, que compila estatísticas de órgãos oficiais sobre o coronavírus. "Nos foi orientado pela coordenação da CBF, de seus médicos, a condução dessa forma. Seguimos o que o protocolo médico quer com o máximo rigor possível. Sei que não tem segurança total, mas se for humanamente possível nós vamos fazer", afirmou o técnico Tite, que viu, assim, a preparação da equipe para o 50º jogo sob o seu comando ficar em segundo plano, com a prioridade sendo evitar ao máximo qualquer possibilidade de contrair a virose.
Mas as preocupações da seleção em Lima não estão restritas ao extracampo. Afinal, após uma fácil vitória sobre a Bolívia, a Seleção terá o seu primeiro "verdadeiro" teste nas Eliminatórias, tanto que o Peru foi o último adversário a superar o Brasil, em amistoso disputado em setembro, se juntando a uma seleta lista, que só contava, até então, com Argentina e Bélgica.
O Peru também foi a única seleção visitante a não perder na estreia nas Eliminatórias, tendo empatado por 2 a 2 com o Paraguai. E está em sua maior série invicta na história do qualificatório. São nove jogos, com quatro vitórias e cinco empates, algo que foi fundamental para a classificação à Copa do Mundo da Rússia. O confronto, assim, poderá ser um interessante teste para a nova dupla de volantes usada por Tite contra a Bolívia, composta por Casemiro e Douglas Luiz. E outra chance para Roberto Firmino conquistar uma vaga que vem sendo cativa de Gabriel Jesus, lesionado e fora dos primeiros compromissos do Brasil nas Eliminatórias.
O atacante do Liverpool, afinal, marcou duas vezes na goleada. E espera aproveitar a melhor condição física de Neymar, que chegou a ser dúvida para o duelo com a Bolívia por causa de dores nas costas, para ampliar a sua artilharia. Para isso, vai atuar novamente mais fixo no setor ofensivo do que acontece no seu clube. "No Liverpool eu volto um pouco mais, gosto de estar envolvido com o jogo e ajudando com assistências. A meta é dar o meu melhor, sempre", disse.
Firmino e Neymar terão a companhia de Everton Cebolinha e Coutinho no quarteto ofensivo que tentará levar o Brasil a ganhar a estreia como visitante nas Eliminatórias desde 2006 - empatou com a Colômbia (0 a 0) no qualificatório de 2010 e perdeu do Chile (2 a 0) no de 2018. Novo resultado positivo deixaria a Seleção em boas condições logo na largada para ir ao Catar e ainda ampliaria os ótimos números de Tite no qualificatório - são 11 vitórias e 2 empates.