O Centro de Meteorologia (IPMet) de Bauru prevê chuva para a cidade nesta semana somente para quinta-feira (15), mas a precipitação não deve ser suficiente para aliviar a situação do Rio Batalha. É que a normalização do nível da Lagoa de Captação do manancial, para que ocorra o fim do rodízio e do racionamento que atingem 140 mil pessoas, depende de uma constância maior de chuvas, segundo o DAE. A precipitação de amanhã, contudo, deve soar como um sinal de abertura do chamado "período das águas" (leia mais abaixo).
O nível da lagoa era de 1,93 metro na tarde desta terça, sendo que o ideal é de 3,20 metros. Diante da escassez, desde 7 de outubro, duas grandes regiões da cidade - Altos da Cidade/Centro e Vila Falcão - vivem racionamento, que prevê revezamento de 24 horas de abastecimento por 72 horas sem.
Em 8 e 10 de outubro, choveu entre 2 e 3 milímetros (cada dia) e muita gente achou que a situação do Batalha melhoraria, o que não ocorreu. "Até se chovesse 50 milímetros em um dia não resolveria, porque a água escoa superficialmente rio abaixo e não dá tempo de o lençol freático absorver. Quem mantém o rio nos períodos de seca é o lençol freático", explica o engenheiro civil e diretor de Produção e Reservação do DAE, Heber Soares Vieira. "É preciso uma constância, chuvas quase que diárias de uns 5 milímetros resolveriam", completa o engenheiro.
Vale lembrar também que, para que o nível da lagoa aumente de fato, é preciso que chova na região da Serra da Jacutinga, em Agudos.
'COMPLICADO'
Enquanto a constância das chuvas não vem, a população sofre. O racionamento atinge em cheio alguns bairros, como a Vila Alto Paraíso, que fica em região alta e tem demorado a receber a água.
Moradora da quadra 2 da avenida Antônio Requena Nevado, a secretária Gabriela Sanches conta ter ficado 11 dias com as torneiras secas. Na última segunda (12), o líquido oriundo do revezamento chegou, mas não o suficiente para abastecer a caixa d'água da casa. "Só conseguimos encher alguns galões. Até agora, não senti o rodízio funcionar direito e a dor nos joelhos de carregar baldes só cresce", observa a moradora, que tem dependido de caminhão-pipa.
Em contrapartida, moradores de alguns pontos da região Centro/Sul teriam observado torneiras com água em dia de paralisação da rede. O DAE diz que não houve manobra e que uma "sangria" causada por registros antigos deve ter ocorrido, mas que a situação não interfere no abastecimento de outras partes da cidade.
PIPA INSUFICIENTE
Nesta terça-feira (13), a autarquia registrou uma média de 400 pedidos de caminhão-pipa. Contudo, cerca de 170 chamados têm sido atendidos diariamente.
A situação ocorre mesmo após o reforço da frota - que aumentou de sete para 13 veículos, temporariamente - e também após a implantação do sistema de atendimento 24 horas.
POÇO EM BREVE
Sobre o problema na Vila Alto Paraíso, o diretor Heber Veira diz que esteve no bairro nesta segunda-feira (12) e que "todos os imóveis pareciam estar com as caixas d'água cheias. Apenas de dia, a pressão era ruim".
Na Vila Industrial e Jardim Solange, a reclamação também é constante, confirma o diretor. Situação que deve melhorar após conclusão do Poço Santa Cândida, previsto para ser colocado em operação na próxima semana.