As obras para desafogar o trânsito em avenidas e no entorno da rotatória da Praça do Relógio, monumento a Chujiro Otake, se encaminham para a reta final. Faltam o conserto das calçadas, pintura de faixas de pedestres, a interdição de um lado da rotatória e das três primeiras quadras da avenida Castelo Branco no sentido Vila Independência. A praça foi recuada, o novo acesso que liga a avenida Ambleto Bertolucci com a rua Joaquim de Michelli está liberado e ruas foram recapeadas. A previsão de gastos é de R$ 800 mil. A Emdurb deu entrada na Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) para liberação de energia junto a CPFL para instalar semáforos.
Segundo Sidnei Rodrigues, secretário de Obras, esta intervenção fará o trânsito fluir melhor, inclusive com o recape que foi feito em diversos trechos ao redor.
"PODE MELHORAR"
O JC conversou com pessoas que utilizam o trecho quatro vezes por dia e três delas concordaram que é preciso recuar ainda mais a rotatória, não prejudicando os monumentos. O acesso a pé ali é difícil, perigoso e a reportagem não encontrou ninguém que conseguisse "decifrar" o horário. O recape foi elogiado.
Guilherme D'Avila Marques, 36 anos, empresário do ramo automobilístico, viu o fluxo ficar caótico gradativamente, desde 1997. "Bauru cresceu muito nesta direção e o trânsito não suporta. Recuaram a rotatória, foi bom, mas foi pouco. Acredito que o trânsito que trava aqui, hoje, vai travar lá na parte de cima (redirecionamento no acesso à Castelo). O ideal era tirar a rotatória", comenta. Ele acrescenta que uma rede de fast food que ocupará futuramente toda a quadra onde o seu ponto está há 23 anos vai impactar o local. "A obra vai beneficiar o drive-thru do futuro Burger King", cita o comerciante.
A Secretaria de Obras recorda que este projeto viário é antigo e que não tem previsão de instalação da franquia da lanchonete, que ainda precisa apresentar documentos à Seplan.
Ronaldo do Nascimento Ducatti, 41 anos, técnico em eletrônica, vê melhora no trânsito. "Esse recuo ajudou. Era necessidade. Mas já que entrou nessa ideia de reduzir a rotatória, deveriam diminuir mais. Até porque não sei se o relógio solar é funcional ou de enfeite. Não consigo ver as horas", cita.
Junior Silvestri, 37 anos, consultor automotivo, é outro que comenta a necessidade de diminuir mais a rotatória. "Trabalho aqui ao lado há 2 anos. O fluxo é muito grande. Ter mexido no contorno da praça diminui um pouco o congestionamento, mas não resolve. A praça não tem utilidade, a não ser o visual. Nem horas dá pra saber", reclama.
RELÓGIO
A rotatória e os monumentos foram construídos pela prefeitura e inaugurados em 1996, na gestão Tidei de Lima. O projeto teria sido trazido do Japão após o então vereador Futaro Sato sugerir a inovação do tráfego para a época e batizar o nome da praça. O JC falou com a Secretaria de Obras e a Igreja Tenrikyo para ajudarem a desvendar o segredo do relógio, já que a sombra não reflete corretamente a hora em diversos períodos do dia. Até o momento, a leitura não foi solucionada.
Não há manual de instrução e o assunto permanece inerte há anos porque o acesso a pé na praça é desafio que exige correr para atravessar.
Futaro Sato lembra que o relógio foi feito para determinada estação do ano, mas não recorda qual. A pedido da Obras, uma equipe do Departamento de Proteção ao Patrimônio Cultural foi até o local, avaliou o formato e vai providenciar um estudo com a finalidade de criar um manual com QR Code, uma prestação de serviço, unindo símbolos que surgiram em um espaço de tempo entre 3.500 anos AC e o Século 21.