Ele já cobriu 22 Jogos Abertos do Interior, além de incontáveis partidas de futebol e outros esportes, ao longo das cinco décadas da sua carreira junto ao jornalismo esportivo. Natural de Bauru, Erlinton Goulart, de 65 anos, afirma que o segredo para o sucesso nesta profissão é ler, acompanhar as disputas e, principalmente, não ter paixões. "Eu torço pelo espetáculo", acrescenta.
Primogênito do serralheiro Emygdio Goulart e da dona de casa Lourdes Goulart, ambos já falecidos, Erlinton tem duas irmãs, a consultora de vendas Adelaide, de 64, e a esteticista Silvia, de 62.
Pai do administrador Alisson, de 29, e da advogada Larissa, de 27, o jornalista mantém o portal Futebol Bauru desde 2007, quando firmou uma parceria com o empresário João Bidu, por quem nutre imensa admiração. O site reúne, basicamente, notícias sobre o Esporte Clube Noroeste e o futebol amador local.
Abaixo, Erlinton, apelidado de "Repórter Furacão", por ser rápido em todas as apurações, faz um balanço sobre a sua trajetória, que conta com entrevistas com grandes personalidades, como o Rei Pelé. Confira alguns trechos da conversa.
Jornal da Cidade - Você nasceu em Bauru. Em qual bairro foi criado?
Erlinton Goulart - Eu morei boa parte da minha vida no Bela Vista, um dos bairros mais populosos da época. Estudei a vida inteira no Moraes Pacheco, por onde também passaram o ator Edson Celulari, o tenista Roger Guedes e a endocrinologista Maria Cristina Corradini.
JC - A sua paixão pelo jornalismo esportivo surgiu em qual ocasião?
Erlinton - Em 1970, aos 14 anos, eu comecei a cobrir o Campeonato Amador de Bauru pela Rádio Auri Verde. Na época, andava descalço e usava um short feito de saco de farinha de trigo, além de uma camisa fina.
JC - O que mudou de lá para cá?
Erlinton - Hoje, os jogos acontecem em estádios distritais. Antigamente, ocorriam em campos de terra espalhados por vários bairros da cidade. O espaço que abriga a UPA Bela Vista, por exemplo, sediava um campo chamado Pito Aceso. No Altos da Cidade, perto da agência da Fiat, funcionavam os campos do Portuguesinha e Grêmio. O campo do Internacional, por sua vez, deu lugar à FOB/USP.
JC - Qual foi a sua primeira grande cobertura?
Erlinton - Em 1970, eu cobri os Jogos Abertos do Interior, em Bauru. Nós tínhamos excelentes atletas de tênis, natação e basquete. Antônio Carlos Barbosa, ligado a esta última modalidade, se destacou, posteriormente, como técnico da Seleção Brasileira. Além disso, a cidade não possuía escolas suficientes para alojar todas as delegações e elas ficaram nas casas recém-construídas da Cohab, no Jardim Redentor.
JC - Você entrevistou algum atleta famoso no decorrer deste campeonato?
Erlinton - O meu primeiro entrevistado foi o jogador de basquete Emil Rached. Com 2,20 metros, ele se consagrou como um dos atletas mais altos da modalidade no País. Nós conversamos no ginásio do Sesi, inaugurado, justamente, para sediar os Jogos Abertos daquele ano.
JC - Em qual momento você começou a atuar junto ao Diário de Bauru?
Erlinton - Em 1973, o João Bidu me levou para ser foca no Diário de Bauru. Lá, eu comecei a escrever matérias sobre futsal. Nós ouvíamos os jogos pela Rádio Bandeirantes e anotávamos tudo, porque sequer tínhamos gravador. Depois, produzíamos em máquinas de escrever Olivetti ou Remington e complementávamos com o conteúdo que havia saído na Gazeta Esportiva.
JC - O que você aprendeu com a imprensa escrita?
Erlinton - O João Bidu me ensinou duas coisas: não misturar a minha vida pessoal com a profissional e ouvir sempre todos os lados da mesma história.
JC - Como foi a sua entrevista com o Rei Pelé?
Erlinton - Eu estive com ele em três ocasiões. A primeira entrevista ocorreu em 1974, quando viajei com o Dé, antigo jogador do Noroeste e amigo do Pelé, para Santos. Na época, o atleta confirmou que havia deixado a Seleção Brasileira. Dois anos depois, ele gravou um filme no BAC, em Bauru, momento em que eu e o fotógrafo do Diário de Bauru, Pedro Romualdo, conseguimos encontrá-lo na chácara de um amigo de infância. Por fim, em 1978, o Pelé retornou à cidade para jogar com o pessoal do Baquinho.
JC - Além da Auri Verde e do Diário de Bauru, você fez várias assessorias de imprensa. Por quais empresas já passou?
Erlinton - Eu trabalhei para a Tilibra, o Noroeste, a Unimed Bauru, a Associação Paulista de Medicina (APM), a Instituição Toledo de Ensino (ITE), a Federação Paulista de Basquete (FPB), a Liga Bauruense de Futebol Amador (LBFA), a Liga Regional de Futebol de Bauru (LRFB), o Bauru Tênis Clube (BTC) e a Associação Luso Brasileira de Bauru. Fazia três ou quatro assessorias por vez para dar o melhor aos meus filhos. Além disso, fui correspondente do Estadão e Jornal da Tarde.
JC - Qual é o segredo para se tornar um bom jornalista esportivo?
Erlinton - Ler, acompanhar as disputas e, principalmente, não ter paixões. Eu não torço por um time em específico, mas pelo espetáculo.