Economia & Negócios

Propriedades rurais da região de Bauru despontam na produção de café especial

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Do alto da Cuesta que atravessa municípios da região de Bauru, dezenas de propriedades rurais produtoras de café vêm se especializando em uma nova modalidade de cultivo, o chamado café especial, que ganhou popularidade entre os apreciadores da bebida, com maior intensidade ao longo da última década.

São lavouras de café distribuídas em cidades como Botucatu, Pardinho, São Manuel, Torrinha e Dois Córregos. Muitas delas, inclusive, já obtiveram reconhecimento na produção de grãos especiais, tendo recebido prêmios em concursos nacionais e internacionais.

Devido ao desempenho alcançado ano a ano, a região possui a ambição de obter o registro de Indicação Geográfica e integrar as principais zonas cafeeiras de alta qualidade no Brasil. Proprietário da Cafeeira Masson, em São Manuel, Cláudio Denti Masson conta que, atualmente, cerca de 60 fazendas da região estão produzindo e comercializando cafés especiais. A maioria abastece o mercado interno, incluindo cafeterias de todo o País, mas algumas, como a fazenda Aia del Barone, de Torrinha, já exportam parte de sua produção.

Segundo Masson, o número de propriedades que passaram a se dedicar à produção de grãos especiais começou a crescer nos últimos cinco anos. Porém, o volume colhido ainda é pequeno. Grande parte das fazendas ainda depende economicamente da produção do café convencional e reserva uma pequena área para o cultivo de grãos especiais.

"Além destes 60, há outros produtores que estão tentando obter bons resultados, mas ainda não atingiram a pontuação mínima necessária para ter o café classificado como especial", frisa Masson, que tem produção própria, mas também faz o beneficiamento dos grãos produzidos por algumas fazendas da região. A pontuação mínima é de 80, numa escala de zero a 100, e a análise considera 10 atributos sensoriais, que incluem, por exemplo, aroma e sabor.

MICROCLIMA

A concentração dos cafezais na região da Cuesta, antigamente chamada de Serra de Botucatu, não é mera coincidência. A formação geológica, que corta boa parte do Oeste paulista tem altitudes de 800 a 1.000 metros e temperatura média anual entre 19 e 20 graus, condição propícia para o ganho de qualidade dos grãos.

Mas não basta contar com a ajuda da natureza para o café chegar à xícara do consumidor com sabor diferenciado. Conforme explica Rosi Nascimento, proprietária da fazenda Aia del Barone, que fica em Torrinha, a produção de café especial envolve um trabalho artesanal, em que todas as etapas, da plantação ao pós-colheita, são executadas com maior primor.

"A planta precisa ser mais bem cuidada e alimentada para responder bem. Também é preciso ter métodos de colheita mais adequados, porque o café é um produto muito sensível. E é preciso ter métodos corretos no manejo pós-colheita, que envolve seleção, secagem, armazenamento", resume.

Quando começou, há 15 anos, a Aia del Barone contava com 5 mil pés de café e, neste ano, alcançou a marca de 100 mil pés, sendo 40% da produção destinada à exportação. Pelo segundo ano consecutivo, a fazenda exporta café do tipo cereja descascado para a tradicional empresa Illy, localizada em Trieste, na Itália, que já foi premiada como a melhor torrefadora da Europa.

Comentários

Comentários