Com bom humor, o filme "Adeus Lênin!" conta uma história passada na Alemanha Oriental, até então sob o domínio da URSS, onde uma mulher orgulhosa de suas ideias socialistas/comunistas tem um ataque cardíaco justo no dia da queda do muro de Berlim. Quando ela se recupera no hospital, seu filho tenta protegê-la dos acontecimentos, pois lá fora a Berlim unificada vive um conflito entre duas realidades bem distintas: o lado ocidental, democrático, capitalista, rico e cheio de vida, e o lado oriental, ditatorial, socialista onde predominava a apatia e a pobreza. Apesar de fictícia, a história do filme poderia muito bem ser verdadeira, pois condiz com o choque de realidades. Para não deixar sua mãe enferma ver o fracasso do socialismo perante o capitalismo, seu filho através de reportagens forjadas direcionadas apenas pra ela, começou a criar a ilusão que lá fora estava tudo bem. Este é o lado hilário do filme, mas, pesquisando comentários sobre ele no YouTube, nos chamados "contrapontos", nota-se esquerdistas comentando ter adorado a história, falando que aquele "socialismo" não tinha dado certo, mas o sonho de uma sociedade "igualitária, sem classes sociais e com todos tranquilos e felizes" tinha que continuar. Achei incrível a miopia destes comentários, em especial o "todos tranquilos e felizes". Mas, sonhar não é proibido e seria bom que o fizessem sem agredir ou matar ninguém, e sem querer obrigar os outros viverem seus sonhos. Na verdade, creio que as experiências neste sentido nunca darão certo, pois o modelo está em conflito com a natureza humana. Isto é baseado no que vejo predominar no mundo, onde temos pelo menos 50 países (Suécia, Japão, Dinamarca, Holanda, Canadá, Nova Zelândia, Áustria, Hungria, Malta etc), todos democráticos e capitalistas, no caminho certo do sucesso social e econômico, com baixo índice de desigualdade social e alto índice de riqueza per-capita. Neles, fica evidente que a grande maioria das pessoas gostam mesmo é de liberdade e de resolver suas vidas com trabalho e, se possível, também alçar voos maiores. Há também sempre uma pequena parte que aceitaria a tutela do Estado, talvez imaginando que este fato garantiria as necessidades básicas (moradia, alimentação, ...), mas creio que isto poderia ser obtida de outra forma. Para comparar, ainda existem 5 países que se pode classificar como tradicionalmente socialistas (Cuba, Coreia do Norte, Vietnã, Moldávia e Laos), onde todos são ditaduras e pobres.
Entretanto, o maior erro que a esquerda comete, é achar que eliminando o capitalismo e implantando um sistema igualitário, a riqueza total permaneceria a mesma. Isto não acontece, pois, como veremos adiante, a maior parte da riqueza é implementada como consequência do capitalismo. Mas o que é riqueza? É dinheiro? E se tiver bastante dinheiro no deserto, ele vai servir pra alguma coisa? Na verdade, o dinheiro é apenas um artifício prático para se efetuar as trocas, e a verdadeira riqueza é poder fazer as coisas. É poder se alimentar bem; poder viajar para um lugar interessante; poder ter uma roupa que lhe agrade; poder oferecer uma boa escola a seus filhos; ..., enfim, poder ter liberdade e saúde para aproveitar a vida. E você seria muito rico se pudesse fazer um monte de coisas que gosta, mas, para poder fazer algo, é também necessário estar num lugar que propicie isto. Assim, um País pode ser considerado "rico", quando oferece uma grande quantidade de opções de coisas que se possa fazer, e "pobre" quando oferece poucas opções. E essas variedades de coisas se consegue como consequência do capitalismo aplicado numa democracia, onde qualquer pessoa pode empreender, gerando múltiplas atividades (indústrias, lojas, restaurantes, hospitais, shows, ...), onde também se inclui novidades atrativas que desperta o interesse de alguns. Isto cria um dinamismo na sociedade, onde o dinheiro passa de mão em mão, e a atividade de um acaba ajudando a atividade de outro, com todo mundo podendo se beneficiar. Outro fator controverso associado ao capitalismo, externei recentemente ao analisar a fortuna de U$100 bi acumulada por Bill Gates, e comparei com a riqueza que seus trabalhos geraram para o mundo, estimada em pelo menos U$200 tri (nos 40 anos do uso da informática), nas várias formas: empregos diversos envolvendo computadores e smartphones; rapidez e segurança; armazenamento de dados; comunicação e entretenimento; etc. Entretanto, a esquerda não se cansa de dizer que Bill Gates abocanhou a fortuna de U$100 bi, sendo que, na verdade, seu trabalho gerou uma riqueza total de U$200 tri, deixando para o do mundo sua maior parte: U$199,9 tri.
E na China, o que aconteceu!? Ora, os chineses perceberam que, numa democracia, o dinamismo devido a multiplicidade de atividades do capitalismo gera riqueza, e aplicaram um capitalismo adaptado ao socialismo. Controlado pelo governo chinês, é provável que este tenha selecionado alguns membros do Partido Comunista Chinês, para fazer o papel dos empresários de um País democrático, mas acredito que sem a percepção e criatividade destes. E tudo indica também que, em tal "Capitalismo de Estado", os lucros são rateados entre o Estado Chinês e os empresários chineses escolhidos. Tudo isto tem uma interface muito parecida ao que já tinha acontecido com a implosão da antiga URSS. Quando o Estado Soviético degringolou, quem foram os novos ricos que imediatamente tomaram posse das empresas? Foram os antigos chefões soviéticos, sugerindo que antes já controlavam as fábricas, a burocracia, a segurança, ... ou seja, o sistema soviético já era de fato um Capitalismo de Estado, onde o restante dos funcionários não tinham a menor ideia do que realmente acontecia. Seria o mesmo que imaginássemos nos EUA atual, os homens mais poderosos do País se unissem, acabasse com o Congresso e os demais poderes, o que anularia a democracia e o poder do povo, e escolhessem quem iria ser os novos chefões dos empreendimentos americanos, com os lucros rateados entre estes chefões e o Estado Americano na forma de impostos. Seria uma ditadura comandada pelo recém criado "Partido Comunista Americano", agora o único partido existente. Conclusão: acho bom continuarmos com a nossa velha e boa democracia, ir melhorando as instituições e as leis de nossa república, pois têm muita gente esperta por ai, e muitíssimos ingênuos que dão sustentação a eles sem saber.