Concedido pelo governo federal para dar respaldo financeiro neste período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do novo coronavírus, o auxílio emergencial segue na mira dos estelionatários. Tanto que, desde a sua criação, Bauru e região já registraram mais de 400 casos de golpe, conforme estima a Polícia Federal (PF), responsável por investigar os crimes contra a Caixa Econômica Federal (CEF).
Delegado coordenador do Setor de Investigações Gerais (SIG), órgão ligado à Central de Polícia Judiciária (CPJ), em Bauru, Eduardo Herrera dos Santos informa que, só da cidade, foram encaminhados cerca de 120 boletins de ocorrência (BOs) à PF local. "A maioria dos casos envolvendo o golpe do auxílio emergencial é de pessoas que tentaram retirar o benefício, mas descobriram que outras o fizeram mediante meio fraudulento", acrescenta.
Delegado chefe da PF, em Bauru, Ênio Bianospino explica que, geralmente, os criminosos usam os chamados "robots" para capturar os dados pela Internet. "Alguns chegam até a trocar mensagens com as pessoas mais ingênuas para capturar informações como nome completo, CPF, etc. Com base nisso, os estelionatários fazem um cadastro no aplicativo da Caixa e recebem no lugar das vítimas", descreve.
Há algum tempo, Bianospino informa que este golpe era bastante sofisticado, porque poucos dominavam a tecnologia dos robots. "Porém, os hackers passaram a vender os aplicativos e até os pacotes de dados das vítimas em potencial aos estelionatários, simplificando a prática criminosa", complementa.
EM COMPENSAÇÃO...
Com o intuito de otimizar as investigações neste sentido, nasceu a Base Nacional de Fraudes ao Auxílio Emergencial (BNFAE). "A CEF alimenta o banco de dados, em Brasília, que passa pelo crivo dos analistas da PF. Estes, por sua vez, geram relatórios de inteligência para identificar as quadrilhas. Em seguida, eles enviam os documentos às delegacias da corporação atuantes nos locais onde os golpes foram aplicados para, enfim, instaurarem os inquéritos policiais", pontua.
O delegado frisa, ainda, que os BOs encaminhados pela Polícia Civil já estão nas mãos da Caixa. Até o momento, a PF local não recebeu qualquer relatório oriundo de Brasília para seguir com as investigações.
O único caso em andamento diz respeito ao da quadrilha desarticulada em Lençóis Paulista, às 21h50 do dia 11 de agosto deste ano. Na ocasião, o 13.º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) suspeitou da movimentação de carros de luxo em uma chácara situada na rua São Rafael.
Ao entrar no local, a equipe flagrou 12 "estações de trabalho", que abrigavam computadores de última geração para praticar o crime. Oito pessoas acabaram presas e as suas contas foram bloqueadas judicialmente.