Rio de Janeiro - A Polícia Civil do Rio prendeu em uma semana ao menos 33 suspeitos em operações deflagradas para sufocar o braço financeiro das milícias que atuam no estado. Entre as atividades na mira dos agentes está a exploração de comércios irregulares e transportes alternativos.
Nesta quinta-feira (22), a corporação prendeu mais cinco homens que fariam parte da milícia comandada por Ecko, em Itaguaí e Seropédica. Entre os crimes investigados estão as cobranças irregulares de taxas de segurança e de moradia, instalações de centrais clandestinas de TV a cabo ("gatonet"), armazenamento e comércio irregular de botijões de gás e água, exploração e construções irregulares e outros crimes ambientais.
A investigação também mira a comercialização de produtos falsificados, contrabando, descaminho, transporte alternativo irregular e estabelecimentos comerciais explorados pela milícia e utilizados para lavagem de dinheiro.
FARMÁCIAS
Na quarta-feira (21), a polícia interditou oito farmácias, apreendeu milhares de medicamentos de uso controlado e prendeu dez pessoas que seriam responsáveis pelos estabelecimentos.
Segundo as investigações, as farmácias são utilizadas pela milícia liderada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, para gerar lucro e lavar dinheiro da organização criminosa.
Essa rede de farmácias conta com dezenas de unidades na Região Metropolitana do Rio e em bairros como Campo Grande, Santa Cruz, Cosmos, Paciência, Senador Camará e Madureira.
Os acusados responderão por crimes contra a saúde pública, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro.
Ainda na quarta (21), a polícia apreendeu 168 mil aparelhos de TV box importados de forma irregular no porto de Itaguaí. Os equipamentos são considerados os novos "gatonet" pelos investigadores, porque são utilizados para transmitir sinais piratas de canais de televisão.
O coordenador da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), delegado Fabrício Oliveira, estima que a apreensão tenha gerado um prejuízo superior a R$ 100 milhões para as milícias que atuam na região.