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Home office e horário flexível viram trunfos para atrair profissionais

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

Na hora de escolher um novo emprego, é claro que o salário importa. Mas, no planejamento da carreira dos sonhos, profissionais olham além dos números. Ao lado da remuneração, na lista de desejos aparecem benefícios como trabalho flexível e possibilidade de home office, ambiente saudável, propósito da empresa, compromisso socioambiental, além de valorização da equipe e possibilidade clara de desenvolvimento.

Pesquisa feita pela Revelo, startup de recrutamento, a pedido do Estadão, perguntou a 378 profissionais o que faz uma empresa ser considerada "dos sonhos". Entre as respostas - cada um podia escolher até duas opções -, 69% apontaram o horário flexível e o home office; 36% disseram olhar para salário acima da média do mercado; 36%, o compromisso com diversidade, sustentabilidade e outros propósitos; 18%, a participação nos lucros; e 15%, bônus por performance.

Apesar da crise na economia e no mercado de trabalho, as empresas buscam oferecer benefícios extras para os funcionários porque se deram conta que aumentou a disputa por talentos que possam fazer a diferença em um mercado cada vez mais competitivo. Além disso, os profissionais mais jovens - e os de maior potencial - têm um comportamento diferente das gerações anteriores.

Estão mais preocupados com a qualidade de vida e em encontrar um propósito para seu trabalho. Eles não vestem a camisa da empresa apenas pelo salário, mas por se identificar com os valores da companhia. Na pandemia, essa mudança de comportamento ficou mais evidente.

No levantamento, o home office e o trabalho flexível aparecem como prioridade para todos os grupos de idade, com maiores índices entre quem tem de 18 a 23 anos (41%) e de 35 a 40 anos (37%). Já o salário foi citado como item importante principalmente nas faixas de 24 a 29 anos e de 35 a 40 anos, mas com índice de 20%, em ambos os casos.

O compromisso com diversidade, sustentabilidade e outros propósitos da marca são mais importantes para os mais jovens, entre 18 e 29 anos.

Para Amanda Aragão, líder da área de recrutamento e seleção da consultoria Mais Diversidade, três pontos têm aparecido entre as preferências dos candidatos na hora de escolher um novo emprego, principalmente para os mais jovens: a possibilidade de desenvolver múltiplas carreiras, o senso de pertencimento e o propósito.

Ainda é um peso muito grande escolher uma carreira na adolescência e fazer aquela mesma coisa para o resto da vida. Por isso, diz a especialista, muitos jovens têm optado por empresas que incentivam a mobilidade entre áreas. Já o senso de pertencimento vem alinhado a um ambiente que proporciona segurança psicológica. Isso ocorre quando o funcionário entende que ele é bem-vindo na empresa. 

MATCH 

A estudante de Ciências da Computação Manuela Bernardino, 20 anos, conheceu a empresa dos sonhos há dois anos, num evento para profissionais negros na IBM. Ela se candidatou para uma vaga de jovem aprendiz e não foi selecionada. Quis desistir, mas uma mentora a encorajou a estudar mais e tentar de novo. 

Há dois anos na corporação, Manuela já realizou vários sonhos: foi para os EUA a trabalho, com tudo pago pela IBM, e há um mês se tornou estagiária de desenvolvimento. A próxima meta é se tornar gerente até os 26 anos, trabalhando com tecnologia.

Manuela diz que a valorização profissional é um dos itens que a fizeram seguir escolhendo a IBM como a empresa dos sonhos. "Você tem um valor independentemente do seu cargo."

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