Tribuna do Leitor

Educação a distância e autodidatismo

Roque Roberto Pires de Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Ano de 2004! - Os burocratas de gabinete no MEducação, olhando pelo espelho retrovisor da história educacional, copiaram o pioneirismo do Instituto Rádio Técnico Monitor existente desde 1939, e fizeram publicar a Portaria nº 4.059/04 facultando às instituições de ensino mediante credenciamento, o oferecimento dos cursos de nível técnico, superior, pós-graduação, MBA na modalidade "Lato Sensu", mestrado e doutorado na modalidade "Strictu Sensu. Tuteladas pelos sistemas Capes/SESu e SAPIEns. Para isso havia necessidade de um nome de batismo, nome que não foi difícil de ser encontrado: "Universidade Aberta do Brasil" e "Pró-Licenciatura" a teor de uma nova Portaria a de nº 873/06. Afinal, estamos no século XXI razão pela qual a Presidente em seu primeiro discurso de posse proclamou alto e bom som "Brasil, Pátria Educadora" ufanismo delegado ao futuro de incertezas.

Os que adoram aparecer em fotografias oficiais e presidentes de mantenedoras aplaudiram com muito entusiasmo! - Ano de 2016! - Faculdades e Universidades divulgam em jornais, revistas, canais de televisão torrencial publicidade sobre educação semi presencial. A política educacional do MEducação atendendo objetivos da LDB/96, com a implantação da nova legislação teve por escopo proporcionar acesso,via "internet", ao maior número de brasileiros carentes de tempo necessário para frequência às aulas, utilizarem-se da tecnologia para atingirem seus objetivos no seletivo mercado de trabalho. O MEC aprova a instalação dos cursos EAD. Amparadas por essa Portaria as médias e grandes escolas estenderam seus braços para as mais diversas cidades na busca desses candidatos que, sem muitas informações de como funcionam os cursos efetuam suas matrículas cujos valores econômicos com concorrência acirrada, variam de uma instituição para outra. Nos escritórios instalados, a presença de um Secretário, sala com um telão (nem sempre) à disposição nos horários de funcionamento. O grande leque que se abre com a implantação desses cursos e as mais diversas disciplinas, não implicam, necessariamente, na contratação de pessoas qualificadas (há exceções), em nível previsto no projeto pedagógico. Surge a figura do Tutor. Este profissional como cediço representa custos e é de trivial sabença que a educação no Brasil delegada ao setor privado é tarefa para empresários focados na obtenção de lucros; muitas contratações geram despesas... Educadores por vocação e com formação acadêmica dificilmente se arriscam nesse comércio. A secretaria é orientada para informar aos interessados de que poderá escolher o dia e a hora de que dispõe para ir à "escola" assistir e fazer anotações das aulas, esclarecer dúvidas com o Tutor/Plantonista e retirar o carnê. A Instituição estará sempre pronta para atender as solicitações da programação, aulas gravadas,fornecer apostilas, permitir consultas por e-mail, motivar o aluno a estudar muito em seu próprio benefício. Tudo o mais - somente via "internet" celulares e congêneres na sede principal da Instituição que poderá ser em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre ou outras Capitais. Dificilmente haverá contato pessoal entre o aluno e seu Professor. Chegada a hora do TCC um Orientador, via "internet", fará tantas exigências em termos de "abstract", conteúdo, notas de rodapé, bibliografias, normas da ABNT, quantidade de exemplares necessários ao desorientado pré-concluinte, e ele terá que procurar a ajuda de algum iluminado da área escolhida. Concluído os trabalhos, carnê e outras taxas quitadas a Instituição manda o diploma pelo correio. Simples assim ! Avaliações pelo Enade em 2019 e dados divulgados pelo Inep (2020) alertam que 43% dos Cursos Superiores particulares tem nota ruim em avaliação federal; 1/5% alcançaram conceito máximo. Nas federais 511 cursos avaliados e nas particulares 2.691 cursos avaliados. Universo de 14.379 Cursos em andamento.
Pobre Brasil!

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