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Os amigos das onças

Talita Duvanel
| Tempo de leitura: 2 min

Uma foto de um rinoceronte sem chifres da "National Geographic" despertou na empresária Tatiana Ferreira, 51 anos, o desejo de ajudar na preservação de animais que sofrem com a violência direta ou indireta da cobiça de seres humanos. Em 2011, ela procurou uma ONG na África e adotou um animal, mas ficou pensando na quantidade de espécies brasileiras que também podiam se beneficiar da sua filantropia. Depois de muito procurar, encontrou a Onçafari, associação que trabalha com ecoturismo, reintrodução de animais na natureza e preservação de espécies ameaçadas no Pantanal, dentre elas a onça-pintada.

Símbolo da biodiversidade nacional, as onças figuram entre as principais vítimas das queimadas, que, segundo o Observatório do Pantanal, já destruíram 30% do bioma neste ano. A situação tem feito pessoas físicas e jurídicas se engajarem ainda mais em torno da conservação desse símbolo do Brasil, que tem até um dia para chamar de seu, o 29 de novembro.

Tatiana é um desses casos. "Eu e meu marido praticamos ciclismo, então pedalamos com o logo do Onçafari para divulgar a causa. E quis escrever um livro infantil também", diz a autora de "Minha mãe é a fera". Fera é nome da onça de 6 anos adotada pela carioca. Ela gasta R$ 30 mil por ano ajudando a Onçafari a monitorar e estudar os hábitos do animal.

As camisetas esportivas de Tatiana chamaram tanta atenção que a Onçafari acabou virando nome da equipe de ciclismo feminina fundada pela atleta dinamarquesa naturalizada brasileira Line Østergaard. "Nós usamos a estampa para além da moda. O objetivo é dar visibilidade e educar as pessoas."

GRIFE

Alguns expoentes da moda, indústria que sempre se "alimentou" do imaginário selvagem, também têm se debruçado na causa, indo além da famigerada estampa de oncinha. Seja com doações ou reforço do símbolo, a ideia é chamar atenção para o animal, cuja presença, diz a bióloga e pesquisadora sul-matogrossense Grasiela Porfírio, "indica um ambiente com bom nível de preservação". Um exemplo de grife que destina recursos para a preservação é a Animale, que ano passado fez uma estampa com a ONG Ampara Animal, e agora renovou a parceria, revertendo parte das vendas a ações em prol das onças no Pantanal.

Grasiela acha que toda ação que espalhe informação sobre a espécie é importante, ainda mais nesse momento. "O cenário é triste e desolador", diz a bióloga. "Para as onças, de maneira direta, as queimadas trazem o risco de morte ou lesões nas patas. O estresse e a desidratação também afetam os animais em fuga, e as sobreviventes ainda precisam vencer a perda do habitat e das presas." Toda ajuda é mais que bem-vinda.

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