Tribuna do Leitor

Descaso com a bacia do Rio Batalha

Shigueko Sakai
| Tempo de leitura: 2 min

Gostei da reportagem de domingo passado (18) no JC com o título "Falta d'água escancara agonia e o descaso com bacia do Rio Batalha". E, sugestão ouvida do engenheiro florestal Gabriel Guimarães Motta, da "necessidade de iniciar o desassoreamento do rio a partir da lagoa de captação até a nascente", seguida de manutenção das estradas rurais, o terraceamento e o reflorestamento a médio e longo prazo. Os engenheiros florestais da Sagra e também do DAEE conhecem, e muito, como utilizar técnicas para captação e conservação das águas superficiais. Destinar um valor anual para os proprietários rurais que fazem divisas com o Rio Batalha como incentivo financeiro ajuda, e muito, considerando ser uma tarefa onerosa e necessária. Bem lembrado por especialista ouvido pelo JC. As plantações de eucaliptos consomem águas significativamente. Somadas ao assoreamento advindo das enxurradas e plantas aquáticas tipo "taboa" e "aguapés" que também consomem e ajudam a assorear para a perda significativa das áreas antes, ocupadas pelas águas.

Garanto que terraceamento feito, seja na parte baixa ou na parte alta em terras inclinadas, perigo não há em rompimento. Escavando a terra firme, perigo não há em se romper. Ganha inclusive a altura com as próprias terras e estas, em curto tempo, estarão forradas com capins e plantas. As águas das chuvas acumuladas na área escavada permanece por longo tempo mesmo sem as chuvas e calor. Recente experiência, própria. Meu pai Shozo, na década de sessenta, salvo memória, 1964, iniciou a construção de barragem na parte mais baixa do sítio para garantir a plantação e colheita de verduras e legumes. Trinta anos mais tarde, ele afirmou que a água reservada na represa por ele construída suportaria estiagem de até seis meses para abastecer o plantio de arroz, legumes e verduras ocupados e irrigados em torno de quinze alqueires de terras mesmo com a perda em torno de um terço da reserva por assoreamento advindo da terraplenagem sem controle para a construção de desfavelamento da atual Vila Fortunato Rocha Lima.

São serviços essenciais para reservar e conservar águas das chuvas e dos mananciais. Garantir a cidade abastecida com abundância de água à população depende da ação inteligente e eficaz do governo. Garanto que para realizar esses serviços não consome "milhões de reais" que são gastos para perfurar um poço artesiano. Com uso descontrolado de águas pela população somado ao crescente plantio de eucaliptos, queimadas e pastagens em torno de toda a região, o descaso do governo municipal com a bacia do Rio Batalha e seus afluentes, a curto prazo vamos deparar com poços artesianos secos e sem reserva de água o suficiente para atender à demanda.

 

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